Arquivo do mês: junho 2011

Miopia

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Abriu os olhos pela primeira vez. Não podia acreditar no mundo que via e se abria.
Tudo era tão brilhante e vivo.
Parecia-lhe que por fim vivia. Respirar não bastava. Não mais.
Tinha plena consciência de que não poderia retomar o passado.
Este que outrora fora tão vil, congelante e paralisante.
Não tremeria.
Agora se sentisse frio, aqueceria.
Era revigorante ter conhecimento de que não dependia de ninguém, nem ao menos para auxiliar-lhe.
Por direito e por merecimento, a vida era inteiramente sua.
Faria o que bem lhe desejasse.
E assim permaneceu por um bom tempo.
Até que em um belo dia, de tanto admirar a sua volta, tropeçou.
Lembrou-lhe daquela época sórdida.
Ao tropeçar no buraco, verificou que na sua queda machucou-se.
A partir daquele momento, parou de enxergar.
Na verdade, somente voltara a ver vultos e isso lhe assustou.
O medo tomou-lhe conta
, a escuridão retornara, finalmente.
Todavia, era diferente, apenas observava um clarão cegante tanto quanto anteriormente.

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Olhar no espelho

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Ontem quando almoçava acompanhei discretamente a conversa entre duas senhoras, bem fofinhas e modernas, por sinal, que falavam sobre maquiagens, viagens, filhos, netos…
Quase que tive o ímpeto de iniciar um triálogo. Contudo, decidi ficar meramente a observar tal cena.
De repente, uma delas comentou com a outra que adorava banana milanesa mas não tinha visto. Detalhe: ela tinha olhado para o meu prato.
Mais uma vez, tive a vontade de falar com elas. Porém, como estamos em Curitiba, elas poderiam estranhar ou até mesmo considerar uma grosseria tal ato. Novamente, decidi permanecer analisando-as.
Refleti sobre como seria chegar naquele estágio da vida em que tudo já se concretizou, não dá para reverter o destino e as consequências das decisões que levaram a vida a um caminho. Também percebi o quanto elas eram e pareciam genuinamente felizes. E isso me deu um otimismo por tanta coisa que me tem acontecido nos últimos tempos – especialmente as trágicas e péssimas.  Rezei para que tudo de horrível que pudesse me acontecer, já teria ocorrido e que a partir de agora as coisas e a minha vida seriam diferentes: mudanças a caminho!
É como se pudesse ver um olhar no espelho – refletindo o passado e de relance o meu provável futuro.
Confesso que até curti viu!
Pensei, tentei, agi e cai.
E está tudo bem, pois, logo, depois de tantos tombos, os acertos começaram e continuam a fluir por todo o sempre.
Assim, espero e anseio!  

 

 

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Um brilho no olhar

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Era tudo o que lhe restava. Era tudo que almejava: finalmente estariam falando sinceridades, além de exporem seus desejos mais profundos e secretos.
O silêncio sempre falou por eles, porém não agora. Não mais.
Até porque não havia mais nenhuma outra trivialidade para comentar que acabou tornando-se o código: quando queriam falar ou ouvir o outro falariam sobre amenidades. N
a verdade, quando sentiam antiga e saudosa nostalgia.
Tudo parecia uma tranquilidade tão serena quando estavam juntos. Tudo voltava a ficar bem.
Não obstante com essa nova distância com a qual eles não souberam direito processar o quanto a falta dela ou vice-versa era sentida pela correria do atual cotidiano. Só de meramente pensar no passado, bastava para dar um aperto no coração – órgão que consideravam como apenas um órgão essencial para sobreviverem.
Agora, para eles, ironicamente, era vital sentir seu pulsar.
Neste exato momento em que finalmente encontravam-se pelo mero acaso. Acaso?! Destino?! Nunca acreditaram nisso, todavia, a partir daquele instante passariam a acreditar.
Somente foi necessário sorriso com um imprescindível brilho no olhar!
Para quase que imediatamente voltarem a despedir-se e o ciclo rotineiro voltar a girar. 

 

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