Arquivo do mês: março 2015

Onde sobra a falta, falta o transbordar

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Quantas e quantas vezes você se viu refém das suas escolhas por medo de dar o próximo passo? Quantas e quantas vezes você se viu vivendo um padrão de repetição nos seus relacionamentos e sempre terminar dizendo a si mesmo que “essa foi a última vez” mas essa última vez nunca chega?

São coisas muito mais comuns do que imaginamos. E são comuns justamente porque temos medo de assumir para nós mesmos certas coisas. A honestidade consigo mesmo tem um precinho salgado e poucos estão dispostos a bancar a escolha que fazem. Poucos estão dispostos a dar o próximo passo e descobrir se vão se estabacar no chão para depois levantarem novamente mais fortes do que antes ou se vão continuar andando, mesmo que andando em direção ao vento cortante que bate no rosto e congela até a alma.

Um sábio escreveu certa vez uma frase que vemos ecoar nos quatro cantos do mundo “nós aceitamos o amor que pensamos merecer”. Nós aceitamos o amor que pensamos merecer e aceitamos também as ausências que nos fazem infelizes; aceitamos também “ficar sempre para depois”. Nos colocamos em certas situações na vida por medo de enfrentá-las. Por medo de aceitá-las como verdade e por mais que doa, temos medo de tomar uma atitude. Não tomamos partido de nós mesmos para continuarmos tomando partido de quem não move meia palha por nós ou que não corresponde a metade do que esperamos.

Expectativas criadas, frustrações alcançadas. Mas esperamos o possível ou projetamos isso? Projetamos no outro o que gostaríamos para nós e esquecemos que o outro é… o outro? Com suas vontades e necessidades, com seus desejos e seus anseios.

Meio amor não é amor. Meia presença não é presença. Distância não é sinônimo de ausência. Saber o valor que temos e o que merecemos não é pedantismo ou soberba; é necessidade. Atualmente, cada vez mais necessário. Nos vemos engolidos pela falta de tempo, pela rotina cronometrada, pela falta de espontaneidade. Nos esquecemos de gestos singelos de carinho e de bondade. Esquecemos do que merecemos em detrimento da escolha que fazemos de ter a metade e de nos contentarmos com ela quando merecíamos o todo.

Nunca é tarde demais para admitir que aceitamos o amor que achamos que merecemos e que na verdade estamos aceitando um quase amor. Nunca é tarde demais para admitir que aceitamos uma quase presença por acharmos que uma presença pela metade é melhor do que nada. Nunca é tarde para admitirmos que a distância pode existir com quem divide a nossa cama, o nosso teto, e pode não ser sentida por quem está a quilômetros e faz com que tudo pareça fácil com a qualidade do afeto que emprega.

Que tudo o que sentimos e aceitamos seja de verdade.

Que nada seja pela metade. Que nada venha para completar. Nós já somos completos em nossas imperfeições. Precisamos de alguém que nos transborde e que de repente nos faça ver que o avesso é o lado certo e que de cabeça para baixo o mundo é mais bonito.

Que os quases aos quais nos acostumamos acabem. E que não nos desmereçamos a ponto de aceitar um amor pelo meio. Não temos tempo a perder. Não vivemos uma vez só; todos os dias a vida começa de novo. E todos os dias podemos virar o jogo. Basta querer. Mas querer de todo o coração. O mais ou menos não é o seu lugar e você precisa aceitar que merece mais do que isso. Por você mesmo…

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A indispensabilidade do dispensável

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Não seja aquela pessoa que chega quando todo mundo já foi embora; seja aquela que chega antes de todo mundo, procura ser útil, mesmo em silêncio. Seja aquela que só vai embora quando tem a certeza que quem fica, fica bem.

Não seja aquela pessoa que liga quando sonhou com o outro e acha que isso é um sinal; seja aquela que dá o primeiro bom dia do dia de alguém, que manda um oi no meio do dia atribulado, que deixa bilhetinhos debaixo da porta ou manda flores sem uma razão especial.

Não seja aquela pessoa que não fica feliz pelas realizações do outro por receio que o crescimento pessoal dele faça com que vocês se distanciem; seja o principal incentivador, o porto seguro que faz do outro o melhor capitão que possa existir e não aquele que pula no bote salva-vidas e escuta da vida, em retorno, “vada a bordo, cazzo!”.

Não seja a pessoa que tira o chão de alguém por não saber como falar o que quer falar; seja aquela que tira o chão para pegar nos braços, que fala sem agredir, que argumenta sem ofender. Não seja aquela que tira a fala por deixar sem saber como agir de tamanha indignação; seja aquela pessoa que tira a fala com um beijo, que faz a gargalhada aparecer no meio de uma frase séria, que sabe como conduzir uma dança mesmo quando não há música tocando.

Seja aquela pessoa que de dispensável torna-se alguém cujo o outro decide que não quer viver sem. É na dispensabilidade que o ser humano descobre quem lhe é indispensável. Não indispensável por necessidade ou por vaidade, mas, sim, indispensável por vontade e livre arbítrio.

É na dispensabilidade que o outro é, para nós, o conforto tão aguardado, a chegada tão desejada, a partida tão doída, já que de tudo o que poderíamos querer e preferir, escolhemos aquele colo como local sagrado, a chegada naquele lugar e não na melhor balada da cidade e a ausência necessária porém temporária.

Ser dispensável é parte de nós, todos nascemos com isso, não é “opcional de fábrica”. Sermos indispensáveis não depende necessariamente de nós; é uma escolha do outro que por vezes não damos valor ou não percebemos. O costume da presença de alguém que está sempre disponível para nós faz com que não percebamos ou não olhemos isso como um ato de zelo e esforço. A disponibilidade e a dispensabilidade caminham juntas, mas não de mãos dadas.

Não espere ser aquele dispensado para aprender a não dispensar quem lhe é importante. Mesmo quando você tiver a opção de fazê-lo. Ou espere. E aprenda do jeito mais difícil que um coração ferido dificilmente cicatriza por inteiro. Pode ser que não dê tempo de reescrever as linhas que de tão tortas pela vida incerta fizeram com que os caminhos se cruzassem. Pode ser que as mesmas tortuosidades levem a caminhos distintos. E a culpa não será do vento…

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Projeto um ano sem Sephora: 4º mês

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Como estou numa época de vários concursos ocorrendo, não me liguei muito em maquiagem e/ou hidratantes e afins. Tirei um tempo para cuidar mais de mim: fiz uma limpeza de pele (stress está detonando com ela), agendei salão para retocar as luzes o que estava me incomodando (nem dei uma passadinha na Sephora aqui em Curitiba que fica pertinho de casa para namorar nada). Acredito que ter ajudado a minha amiga a fazer a lista de viagem dela supriu muito bem a minha abstinência (só indiquei produtos que amo e realmente uso, claro que indiquei outras coisas que se encontrasse lá fora compraria).

A única coisa que comprei por necessidade foi o creme o Gel Fixador Estimulante para Sobrancelhas da Marina Smith porque a designer que estava indo, pecou bem feio com as minhas sobrancelhas, deixou várias falhas e afinou – enquanto começava a borrar meu rímel, a minha querida Colabora do blog, Michelle me lembrou dele! Já adquiri dois frascos para garantir (óbvio que conto se realmente funciona e o que eu achei).
Para aproveitar a passagem aérea do último concurso, descansarei alguns dias na praia (eu já estou mais branquela do que nunca e como moro em Curitiba, vitamina D sempre é bem-vinda).
Confesso que este mês estou contando os dias até o lançamento da coleção da Julia Petit para MAC (sei quais batons que pretendo comprar e estou na dúvida entre os blushes e a sombra), agora só nos resta aguardar.

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Inspirações para a semana: foco na boca

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Como semana passada, selecionei inspirações básicas, resolvi dar uma virada de 180º  e nesta semana, separei imagens com batons bem fortes e vibrantes – que podem muito bem mudar o visual e nos animar!

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Parabéns

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Olá, pessoal!

Estou muito contente que este mês o blog completou quatro anos de existência!
Gostaria de agradecer a todos vocês, leitores, por compartilharem comigo este espaço, receios, dúvidas, dicas e também se identificarem com o conteúdo.
Já tinha planejado algumas novidades a serem implementadas esta semana: espero que vocês gostem!
Ótima semana a todos!

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Audrey Hepburn

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“Eu amo as pessoas que me fazem rir. É provavelmente a coisa mais importante em uma pessoa.”

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O lado bom do imperfeito

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Penso se muito dos “não consigo” que temos pela vida não são, em verdade, “não quero” que não temos coragem de assumir para nós mesmas. Geralmente quando um “não quero” se traveste de “não consigo”, ficamos presos em nossa concha da mediocridade e andando em círculos dentro de nossa mente, em meio a indagações não externadas, mudas, que apenas transparecem na feição cansada e fechada do dia a dia.

Lutamos tanto para manter o controle das coisas que não nos permitimos o erro, vemos as coisas como algo de vida ou morte e damos peso demais ao que deveria fluir com naturalidade. A bem da verdade sequer sabemos mais o que é naturalidade na maioria das nossas relações afetivas que de efetivas têm cada vez menos e de afetivas, no sentido de dano, cada vez mais. Mal analisamos que do outro lado, do lado de quem nos olha, também existem histórias e poréns sem fim. Não nos damos conta que não estamos sozinhos mesmo que muitas vezes nos sintamos uma ilha em nós mesmos porque estamos preocupados e absortos demais em nossa própria quietude que não vemos as boias salva-vidas que jogam por aí.

Gostamos de bradar que atravessaríamos o Oceano Atlântico a nado por alguém e não o fazemos por nós mesmos e qual é o sentido de priorizar alguém que não nós mesmos? É mais fácil, aparentemente, querer viver para o outro do que para si mesmos pois nos tornamos turistas nas nossas próprias escolhas e não telespectadores apenas das escolhas alheias. Gostamos de viver em função da felicidade de terceiros, quartos, quintos quando a felicidade, a nossa, a própria, se esgotou antes mesmo de começar a ser vendida. Não nos apaixonamos por nós mesmos, a cada dia que passa e não conquistamos a mesma pessoa – nós mesmos – todos os dias… Ao contrário, vivemos casos amor e tórridas paixões com estereótipos e metas inatingíveis, com a intangibilidade das necessidades e desejos que nos impomos.

Somos autocríticos e desmerecemos nossos méritos e virtudes para viver nos méritos e virtudes dos outros sem nos darmos conta que se os outros estão conosco, como família, amigos, namorados ou amantes (não no sentido promíscuo do termo) é porque viram em nós o que deveríamos ver do nascer ao pôr do sol. É porque muitas e muitas vezes nos encontraram antes mesmo que nos encontrássemos e funcionam, ainda que sem pretensão alguma, como bússolas nos apontando a direção do apaixonamento pelo “eu”.

A descoberta do “eu” é fantástica. Quando descobrimos quem somos e nos despimos do véu que nos consome e não permite enxergar o horizonte como terra nova e não como limite imposto, conseguimos sustentar nossos “não quero” sem travesti-los de “não consigo” e tudo o que de fato não conseguimos fazer é nos desapaixonar do que conhecemos. Habitamos um corpo físico que detestamos muitas vezes por não aceitar que a perfeição da capa de revista só cabe à revista e que a realidade do dono daquele corpo não é a nossa – e nem a do photoshop.

A realidade que comparamos à nossa muitas vezes é só isso: photoshop. Muitas vezes é só um filtro bonito disfarçando as imperfeições que não pensamos que aquele ser tenha. A grama do vizinho nem sempre é maior ou mais verde, às vezes, e quase sempre, é maquiagem. Ninguém vive sem problemas.O que precisamos aprender é a como lidar com tudo o que nos cerca sem que nos causemos mais mal. Sem que sejamos tóxicos ao ponto da autossabotagem de nossas conquistas em nome do desacerto que justifica o descompasso no qual passamos boa parte da vida confortáveis em viver.

Que possamos nos encontrar e se nessa busca encontrarmos alguém que queiramos e que nos queira, ao mesmo tempo, que saibamos ter encontrado o pote de ouro no final do arco-íris. Precisamos de alguém que não queira viver por nós, mas conosco. Precisamos de alguém que saiba a hora de nos pegar no colo, a hora de dar a mão mas também saiba a hora de nos deixar caminhar sozinhos. Precisamos de alguém que ame o “eu” que amamos ou que vamos aprendendo a amar ao longo da vida. Para sermos, precisamos nos permitir ser. E precisamos aprender que o imperfeito é belo, assim como o tempo é relativo e o medo existe para ser trampolim, não tábua. E nada como um dia após o outro…

* N. A: texto da colaboradora Michelle De Mentzingen Gomes

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