Onde sobra a falta, falta o transbordar

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Quantas e quantas vezes você se viu refém das suas escolhas por medo de dar o próximo passo? Quantas e quantas vezes você se viu vivendo um padrão de repetição nos seus relacionamentos e sempre terminar dizendo a si mesmo que “essa foi a última vez” mas essa última vez nunca chega?

São coisas muito mais comuns do que imaginamos. E são comuns justamente porque temos medo de assumir para nós mesmos certas coisas. A honestidade consigo mesmo tem um precinho salgado e poucos estão dispostos a bancar a escolha que fazem. Poucos estão dispostos a dar o próximo passo e descobrir se vão se estabacar no chão para depois levantarem novamente mais fortes do que antes ou se vão continuar andando, mesmo que andando em direção ao vento cortante que bate no rosto e congela até a alma.

Um sábio escreveu certa vez uma frase que vemos ecoar nos quatro cantos do mundo “nós aceitamos o amor que pensamos merecer”. Nós aceitamos o amor que pensamos merecer e aceitamos também as ausências que nos fazem infelizes; aceitamos também “ficar sempre para depois”. Nos colocamos em certas situações na vida por medo de enfrentá-las. Por medo de aceitá-las como verdade e por mais que doa, temos medo de tomar uma atitude. Não tomamos partido de nós mesmos para continuarmos tomando partido de quem não move meia palha por nós ou que não corresponde a metade do que esperamos.

Expectativas criadas, frustrações alcançadas. Mas esperamos o possível ou projetamos isso? Projetamos no outro o que gostaríamos para nós e esquecemos que o outro é… o outro? Com suas vontades e necessidades, com seus desejos e seus anseios.

Meio amor não é amor. Meia presença não é presença. Distância não é sinônimo de ausência. Saber o valor que temos e o que merecemos não é pedantismo ou soberba; é necessidade. Atualmente, cada vez mais necessário. Nos vemos engolidos pela falta de tempo, pela rotina cronometrada, pela falta de espontaneidade. Nos esquecemos de gestos singelos de carinho e de bondade. Esquecemos do que merecemos em detrimento da escolha que fazemos de ter a metade e de nos contentarmos com ela quando merecíamos o todo.

Nunca é tarde demais para admitir que aceitamos o amor que achamos que merecemos e que na verdade estamos aceitando um quase amor. Nunca é tarde demais para admitir que aceitamos uma quase presença por acharmos que uma presença pela metade é melhor do que nada. Nunca é tarde para admitirmos que a distância pode existir com quem divide a nossa cama, o nosso teto, e pode não ser sentida por quem está a quilômetros e faz com que tudo pareça fácil com a qualidade do afeto que emprega.

Que tudo o que sentimos e aceitamos seja de verdade.

Que nada seja pela metade. Que nada venha para completar. Nós já somos completos em nossas imperfeições. Precisamos de alguém que nos transborde e que de repente nos faça ver que o avesso é o lado certo e que de cabeça para baixo o mundo é mais bonito.

Que os quases aos quais nos acostumamos acabem. E que não nos desmereçamos a ponto de aceitar um amor pelo meio. Não temos tempo a perder. Não vivemos uma vez só; todos os dias a vida começa de novo. E todos os dias podemos virar o jogo. Basta querer. Mas querer de todo o coração. O mais ou menos não é o seu lugar e você precisa aceitar que merece mais do que isso. Por você mesmo…

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2 Comentários

Arquivado em Divagações, Pessoal

2 Respostas para “Onde sobra a falta, falta o transbordar

  1. “Não tomamos partido de nós mesmos para continuarmos tomando partido de quem não move meia palha por nós ou que não corresponde a metade do que esperamos.” – Me identifiquei demais com o seu texto, ultimamente, as pessoas tem se contentado com “relacionamentos meia boca” por medo de ficarem sozinhas. Mas isso é realmente necessário, por que nosso medo de ficar sozinho é tão grande?

    Adorei o texto, parabéns!

    Beijos ;*

  2. Que texto! Inspirador, excelente, motivador! Parabéns a tal da Michelle!

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