Arquivo do mês: dezembro 2015

Virada de ano e novidades no blog

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E aí pessoal? Como estão todos? Sei muito bem que estive bem ausente aqui, mas senti muita falta de liberar meus pensamentos.
Neste tempo, vocês estiveram em ótima companhia da minha amiga e incrível escritora Michelle. Quem nunca pegou um lencinho depois (e durante também) dos seus textos?!
Continuo na correria dos estudos para concurso, no segundo semestre comecei um novo método que tomou todo o meu tempo. Rascunhei alguns textos no papel, porém me faltou coragem para publicá-los.
Temos projetos bem legais que diversificarão o blog: contos semanais escritos por mim, citações, dicas rápidas sobre maquiagens ainda serão mantidas, como se sente a garota do rímel borrado também.


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Novos posts quinzenais de resenha sobre um livro que ficou na minha cabeceira neste tempo ou um filme que recomendo, além de apresentar a vocês uma arteira que virou a minha vida do avesso há mais de dois anos chamada Arya Stark, uma poodle toy (acreditamos que ela seja na verdade uma bichpoo). Com base no que aprendemos com a minha arteira, daremos dicas sobre cuidados com os bichinhos, petshops, entre outras coisas.


Arya stark
Quem sabe me desafiarei mais no ano que se inicia. Espero estar presente por aqui com todas estas novidades!
Aproveitem para refletir e chegar próximo de quem vocês gostariam de ser!
Um excelente ano a todos!
Bjks

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Projeto um ano sem Sephora: do 9º mês ao último mês

IMG_0292[1].JPGDepois de ter escorregado em agosto, para minha surpresa não enlouqueci em Setembro quando viajei com meus pais para a Itália em comemoração do meu aniversário (sim! Sou balzaquiana com orgulho, apesar de não parecer tanto: já enganei melhor!). 

Não comprei muitas coisas por causa da variação cambiária que não me permitia ou compensava muito.
Apenas refiz meu estoque de touch éclat (compro no duty free um kit que vem com dois), um novo teint miracle porque o outro acabou, a base dior star que tinha testado e amado, o quarteto de sombras da Givenchy (palette metallic reflection), uma beauty blender (ainda não tenho um parecer final a respeito).
Na Kiko, ainda compensou muito pela qualidade dos produtos e pela variedade, comprei mais presentes de viagens para a irmã e as amigas do que para mim: um corretor com várias cores de corretivos e um iluminador (01 colour correction concealer wheel), um lápis retrátil preto com detalhes prateados (06 – matita occhi crayon yeux), uma sombra baked em tons verdes e dourados (06 colour sphere), outra sombra que lembra muito aquela dual-intesity da NARS: esta realmente é linda e trouxe em várias cores para presentes (todo mundo amou!) – a minha é a 215.  Como comprei muito na Kiko ganhei de regalo (lembrete: sempre peçam nas lojas de maquiagens!) dois lápis para olhos e  um batom. Dei um lápis para olhos e o batom para minha mãe, fiquei com o lápis para os olhos cor de vinho (03).
De aniversário ganhei da Sephora um kit de miniaturas de lápis de batom nas cores cruella (vermelho matte) e rikugien (cor de boca satin).
Nos meses seguintes, aproveitei para trocar meus pontos na miniatura de gloss da NARS na cor Priscilla que estou usando direto e dependendo da aplicação ou fica muito claro ou bem marcante.
No final de outubro, comprei a versão miniatura (sou fissurada em versões miniaturas de maquiagens e perfumes: ótimas para levar na bolsa de viagem) do they´re real delineador em gel da Benefi. Gostei mais desta versão miniatura que facilitou para aplicar.
Abriu Forever 21 em Curitiba e comprei um kit de beauty blender inspired mais angulados. Estava com um preço bacana. Acho que menos de 30 reais.
Por fim, em dezembro ganhei um batom  da MAC que já tinha e troquei pelo D for Danger é matte e um pincel premium kabuki angulado para blush e bronzeador – F8 da Beauty Box (amei para contorno!).
Após o final do desafio, li o livro da Marie Kondo sobre organizações de casa, roupas, etc. e fiz uma limpa em tudo (sempre separo roupas e sapatos que não uso mais para doação), além de separar muita maquiagem que estava sem uso. Uma considerável parte minha mãe aceitou de bom grado. Outras, dei para amigas, funcionárias de casa. Reduzi para maquiagens que tenho predileção e uso com mais frequência.
Hoje em dia, somos bombardeadas com tanta publicidade, sendo muitas delas veladas e escondidas em dicas de amigas que parei de seguir muitos blogs que amava por comprar um produto recomendado que não condizia com a realidade. Não precisamos de muito para fazer uma maquiagem legal: basta ter ótimos produtos e usar a imaginação.
Afinal, na maquiagem podemos esquecer às regras para sermos livres para criar! Isso que eu curto na maquiagem: cada vez que me maquio nunca sigo o mesmo padrão, pode ser diferente! Seja feliz com o que você tem e aproveite para ser criativa com os seus produtos: uma sombra pode virar blush/bronzer e vice-versa. Na maquiagem nada é o parece!

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Pare. Pense. Siga.

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…Closing time,

Every new beginning

Comes from some other beginning’s end.

Mesmo que você não consiga ver o que além do horizonte, algo está lá, esperando por você. Você só descobrirá se continuar caminhando mesmo quando a sua vontade é sentar no meio-fio e chorar. Mesmo quando tudo parece turvo, quando a infinita highway asfaltada vira uma rua de terra cheia de pedras e buracos, tudo o que você pode fazer é esperar a poeira assentar e continuar andando em frente até descobrir que todo recomeço, esperado, premeditado, forçado ou inesperado vem de um outro começo que já terminou…

Ou que nunca vai terminar, mas sempre se renovará ante a insistência de um coração que biologicamente nasceu para bater e que hoje acaba o dia apanhando do timing imperfeito e imprudente dos caminhos que se cruzam sem ao menos pedir licença e passam a seguir entrelaçados mesmo quando há uma bifurcação que os separa por um tempo, bate forte sempre que sente aquela presença perto, ainda que há quilômetros de distância.

Leva tempo até perceber que sonhar apesar de doer, vale a pena. Leva tempo até entender que a vida por mais dura que seja, nos ajuda a levantar sempre com uma gentileza de um estranho que estende a mão ou de um amigo que vem em nosso socorro. Demora a aceitar que você não pode ter tudo o que quer ter e que esse querer se mistura com uma necessidade tão vital quanto o oxigênio.

E você se pergunta se entendeu tudo errado. Se passou a vida pedindo errado e recebendo errado até se deparar com algo que pareceu mais certo do que tudo o que já passou no seu caminho. Hora errada? Jeito errado? Tamanho errado? Lugar errado? Medo? Indecisão? Todo passo que você dá pode ser o seu maior erro, pode envergar ou quebrar de vez mas é o risco que você corre ao decidir viver. É o preço que você paga por tomar decisões e assumir desejos, vontades… É a esquina errada que você vira na vida e descobre um café charmozinho no final da rua sem saída e entra para ali ficar e descansar um tempo enquanto a chuva cai lá fora. É a montanha russa que vira seu estômago do avesso e te mostra as borboletas escondidas que você achava que não tinha mais ou que você nunca tinha imaginado ter.

 …And if we’ve only got this life

You’ll get me through alive

And if we’ve only got this life

Then this adventure, oh than I

Wanna share it with you…

Você não nasce com um manual de instruções. Você não passa a vida conforme o livro manda, as coisas não acontecem conforme você planeja, as pessoas não são quem você pensa que elas são e as vezes isso é a melhor coisa que poderia acontecer. Você sofre tanto com a maldade alheia que quando encontra alguém que faz o bem sem pedir nada em troca até se pergunta “é comigo mesmo?”. Sim, é com você mesmo. É com você que passou uma vida sem saber o seu valor, que viveu uma vida inteira sem te dizerem o quão importante você é que você faz sim a diferença no mundo, ao menos no mundo de alguém. Você pode não ver o que tem no horizonte, mas sabe, sente, confia que não descobrirá sozinho, mesmo quando tudo indica que você perdeu uma queda de braço com a vida por aí.

Dá medo.

Assusta.

Faz o coração acelerar.

Mas é assim que você sabe que está vivo. É a adrenalina da escolha. É a dor da decisão tomada. E o conforto da voz que acalma. É a alma que não se separa, das mentes que não se desligam, dos olhos que não se desencontram. É a insistência em resgatar quem já se deixou levar por um mar de sentimentos e tormentas. É o querer que pretere o próprio bem estar, não o anulando, mas sim dando prioridade ao bem estar do outro. É a virada de mesa quando você pensa que o jogo acabou, a última cartada quando você não quer desistir ainda. Mas é também abrir a mão e deixar ir quem apesar de querer, não pode ficar e conviver com o peso da escolha feita. E vai doer. Vai faltar ar. Mas por vezes é só assim que você consegue devolver a paz de alguém, perdendo a sua por um tempo – 1 dia, 1 mês, 1 ano, a eternidade.

Não ache que é fácil decidir seguir em frente quando tudo o que você quer é ficar onde está. É preciso coragem para dar um passo quando os pés querem seguir seu coração e não a sua cabeça. É preciso força. E sim, moça (o), “é preciso força pra sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê”. Força, os mesmos passos que te deixam mais longe dos desejos do seu coração obedecendo a sua cabeça hoje podem te aproximar deles amanhã. Afinal de contas, ninguém sabe onde é o final da estrada. Tudo o que sei é que o jeito é continuar nadando, Dori.

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Sim

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Eu, uma vida sendo tão reticente, tão em cima do muro, tão da turma do talvez, quem sabe, vamos ver, me joguei de cabeça no sim.

Eu disse sim ao mundo que eu desconhecia até então por medo de sair da concha, de pisar fora da minha zona de conforto. Eu disse sim para o mundo do novo que assusta, do novo que alarma, que faz o coração acelerar em um misto de desespero com o desconhecido e alegria pelo o que se pode descobrir com o simples sim dado ao mundo.

Eu disse sim aos sonhos que até então eu tinha e abafava com a falsa noção de realidade que sempre me dava um tapinha nas costas dizendo “sonhos são sonhos por alguma razão, mas por mais que você queira, você não vai realiza-los”. Há uma dose de covardia aqui, covardia essa que nos mantém presos no fundo do mar com uma bola de ferro amarrada em nosso tornozelo. Covardia talvez proveniente do medo, ou da necessidade, ou da falta de confiança para assumir suas próprias vontades. Quantos sonhos foram abafados enquanto você sonhava acordado? Quantos sonhos foram solenemente esquecidos quando você acordou e pensou ser absurdo um sonho literal daquilo que era seu sonho metaforicamente falando?

Como canta Billy Joel em Vienna “dream on, but don’t imagine they’ll all come true”, ou “sonhe mas não imagine que todos se tornarão realidade”. Seria ingenuidade achar que todos os nossos sonhos se realizarão. Mas sonhar faz a vida muito mais colorida; sonho a um, sonho a dois, sonho de um que passa a ser sonho de dois. Os maiores sonhadores são as pessoas mais felizes pois da sua idealização pode sair sua grande realização, com o simples sim dado aos sonhos.

Eu disse sim para a falta de controle. Eu disse sim para o desconhecido. Eu abracei o desvio repentino de rota que minha vida deu. Eu reconheci a necessidade da mudança ou percebi que eu não sabia que precisava mudar até de fato, mudar. Eu disse sim para tudo o que eu não previa, para tudo o que eu temia não conseguir controlar. Eu disse sim para a surpresa, para a felicidade do momento seguinte espontâneo. Pensar demais cansa, tira a graça da vida. Medir milimetricamente cada passo, cada espaço, cada decisão pesa demais na mala que carregamos conosco. Responsabilidades que acumulamos na vida e nossos valores internos jamais nos deixariam tomar uma decisão que não fosse a que acreditamos ser a melhor para nós. Com o simples sim dado ao descontrole, eu me senti livre.

Eu disse sim para o inexplicável. Eu disse sim para o que a razão não passa perto de conseguir explicar. Eu disse sim ao que era até bem pouco tempo atrás, imponderável. Eu aceitei que coisas acontecem por razões que talvez nunca entendamos ao certo mas que delas surgem verdadeiros milagres, sorrisos sinceros, votos eternos, além da eternidade. O inexplicável porém aceitável. O inexplicável porém compreensível. O inexplicável para o consciente mas plenamente justificável para o subconsciente. Para a vontade mais íntima. Eu disse sim ao inexplicável e passei a entender muito mais da vida do que se tivesse pensado em mil possibilidades sem nunca ter certeza de alguma delas.

Eu disse sim pra tudo o que eu podia e descobri que eu podia muito mais do que eu sabia. Descobri que com o sim ao que eu podia, eu tive coragem de querer o que eu pensava não poder. O não poder, a bem da verdade, quase sempre não é um não poder genuíno: ou é um não querer ou é um querer amedrontado que se disfarça de não poder. A vida é infinitamente possível. Arcar com as consequências do sim que damos ao que podemos e ao que queremos faz parte da responsabilidade de nossas escolhas. Faz parte do uso do livre arbítrio. Com o sim que eu dei para tudo o que eu podia, eu pude muito mais do que um dia imaginei poder.

Eu disse sim a vida não retilínea. Eu disse sim às curvas acentuadas que me fazem colocar o pé no freio e às retas que seguem estas curvas que me permitem avançar com mais rapidez. Eu disse sim às linhas tortas da vida, pois se não fossem por elas, nossos caminhos não se cruzariam. E as tais linhas tortas que eu disse sim representam a minha verdade e a minha verdade parece muito mais minha quando é nossa.

Mas eu também disse não. Eu disse não a não querer preencher com ausências os espaços preenchidos por presenças, ainda que conturbadas. Eu disse não ao adeus que não quis dar, não que eu não pude. Eu disse não ao que me fazia chorar para dizer sim ao que me faz rir. Eu disse não ao incompleto e assumi a imperfeita completude. Eu disse não para o pior de mim. E talvez eu tenha dito sim a minha melhor versão, que é melhor quando imperfeitamente completa.

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Seu pavilhão de espelhos

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Uma foto. Uma imagem. Um outdoor na cabeça. Outro no coração. Um pavilhão de espelhos onde nos vemos multiplicados em mil e, conosco, tudo aquilo que trazemos em nossa cabeça e coração. Cada reflexo é uma batida do coração não dita. Cada reflexo é uma lembrança de algo que já foi, de algo que não foi… Cada reflexo é uma saudade sentida, às vezes de coisas que nunca vivemos de fato, mas que queríamos viver com todas as forças do nosso ser.

Cada espelho nos mostra uma faceta. Umas mais delgadas, de uma época sem tantas emoções, uma época de quimera onde o mar estava tranquilo para navegar mas muito porque não procuramos alguma emoção fora da nossa concha; outras, mais largas, que representam a fartura de lembranças, os risos soltos, as emoções sentidas e vividas em sua plenitude.

Às vezes, os reflexos são pela metade. Metade de um coração pulsante em silêncio que só espera outro chegar para completar o quebra-cabeça da vida, que só espera o estetoscópio que são os olhos de quem completará o quadro e que sentirá as pulsadas baterem sincronizadas. Às vezes, os reflexos estão sobrepostos e você não sabe exatamente o porquê até se afastar um pouco e perceber que estava tentando completar seu quebra-cabeça com uma peça de corte arredondado quando a sua pede um quadrado. E cada vez que você insiste, você trinca o reflexo, você alarga algo que não tem elasticidade, você rasga algo que foi feito para ser delicado. São peças certas para outros quebra-cabeças que estão por aí, em espelhos errados.

O pavilhão de espelhos da alma reflete a sua verdade mesmo que você esconda a você mesmo delas. Mesmo que você abafe o sussurro da verdade com o grito histérico da brincadeira querendo mostrar que está completo quando está quebrado. Você já mencionou alguma vez ao espelho que por vezes não reconhece o que está refletido nele? Que por vezes vê a pessoa que esperam que você seja e não a que você realmente é, com suas vestes, penteado e cara lavada?

Em um mundo que só grita e quebra espelhos bradando meias verdades, que só tira foto em frente ao espelho que emagrece a coragem e infla a vaidade da mentira de uma vida infeliz, tudo o que você precisa é ouvir o sussurro que vem do fundo do coração. O seu norte. A sua razão.

Chorar e ver sua imagem assim refletida faz lembrar do quão humano você é e de como as coisas doem. Chore. Chore como criança ou como uma manteiga derretida no final de “A Vida É Bela”. Se emocione, a vida não é para aqueles que se escondem sisudos em máscaras de ferro e constroem em si fortalezas que ninguém consegue derrubar. Tem sempre alguém que consegue penetrar o impenetrável e trazer à tona o seu melhor que podia estar escondido há anos no fundo de um lugar ermo, escuro, frio, tapado para que não visse a luz do sol.

Sorrir e ver sua imagem refletida, em contornos que lembram covinhas ou um largo sorriso faz lembrar do quão doce a vida pode ser quando nos permitimos tentar coisas novas, caminhar de mãos dadas, conhecer novos horizontes, rir de piadas contadas um monte de vezes como se fosse a primeira vez só porque você ama ver quem conta empolgado contando tudo de novo. Faz lembrar de todas as vezes que você amou e foi amado, encantou e foi encantado, desejou e foi desejado.

É claro que por vezes a gente passa uma época de aversão a reflexos. A imagem distorcida nos impede de ver com clareza o que está bem diante de nós e nos irritamos com a nossa própria ignorância. Se posso dar um conselho, em horas assim, vende seus olhos e peça que outra pessoa te diga o que vê. Se imagine atrás dos olhos desse outro alguém. E se você sabe quem esse outro alguém seria e que a visão seria mais terna e amorosa do que a sua com relação a você mesmo/mesma, tire a venda e olhe pelo espelho para essa pessoa: ela te vê melhor do que você. Os olhos da bondade e da ternura enxergam suas qualidades e seus defeitos, exaltam os primeiros e deixam claros os segundos de uma forma confortável. Os olhos do amor não julgam, são benevolentes, são abnegados. Mas nunca mentirosos. O amor de verdade não mente, não passa a mão na cabeça; ajuda a crescer, aponta os erros e espera que, de mãos dadas, desenhem no espelho com batom um recadinho por dia: amar vale a pena.

Não ache que a vida não requer coragem, assim como fazer um 360 em frente ao espelho e perceber suas imperfeitas perfeições. Mas quem tem 20 segundos de coragem maluca, cega, absurda, faz muito mais do que quem tem 20 minutos de paciência mas não dá um passo.

Não trate os seus espelhos como partes de você que não precisam de manutenção. Seus reflexos dizem muito de você. Como você se vê hoje? Delgado? Largo? Sobreposto? Incompleto? Está feliz? De verdade, está feliz? Satisfeito com sua vista atual?
Sua vida depende dessa resposta. Tudo o que se seguir a isso, é mágica. Apenas como aquele olhar ou aquele sorriso são.

Não seja pela metade. Procure o inteiro, você não merece nada menos do que isso.

Não esteja sobreposto. O peso excessivo te deixa torto, o não encaixe tem contraindicações que podem ser danosas pela vida. Uma vida de sobrepeso mata a espinha dorsal da felicidade.

Não prefira a delgadeza do lago sempre; as emoções dependem de um pouco mais de espaço, de um mar maior para navegarem sem afundar. E deixe que as ondas quebrem nas pedras, tomar banho de água salgada espanta o azar. E o banho de chuva espanta a monotonia e manda para o espaço o estado depressivo dos dias cinza. Porque se houver 1 instante de dança na chuva, você entende que começou a viver. E não vai querer parar mais.

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Esvazie-se

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Por que vemos nossos vazios interiores como se fossem uma coisa ruim ou algo que precisa de correção imediata? Por que damos atenção em demasia ao que nos falta e deixamos de lado a atenção ao excedente, que muitas vezes não passa de entulho emocional?

Carregamos várias coisas conosco durante bons pedaços de nossas vidas. Lembranças que podem ser penduradas em um varal de fotos alegres e tão coloridas quanto um quadro ou que podem ficar no fundinho de uma caixa trancada a chave, dentro de outra caixa porque dessas nós não queremos lembrar nem por decreto. Queremos mais é lembrar de esquecer quando tentam sair ou viver em constante negação, esquecendo de lembrar.

Fugir. Correr. Esconder parte do que somos pelo bem de quem? Esconder parte da nossa essência por medo de julgamentos de pessoas que já nos julgam de qualquer forma, sermos metade do que somos porque “é melhor assim”… E aí mais um entulho emocional se forma. Lembramos do que nos faz falta e no mesmo segundo abafamos tudo aquilo que queríamos ser porque esperam de nós uma conduta diferente. Quando foi que deixamos que mandassem no nosso livre arbítrio? Quando foi que deixamos que pessoas mandassem na nossa terra sagrada que é o nosso bem estar? A partir do momento que percebemos que a vida é curta demais e que não vivê-la em sua plenitude é até pecado, passamos a fechar os olhos e os ouvidos às inconveniências de opiniões não solicitadas e de ponderações distantes da realidade, próximas da forma de pensar de quem as diz.

O excedente, todas as caixas empilhadas no sótão do nosso coração, todas as prateleiras empoeiradas e cheias de teias, tudo isso precisa ser esvaziado. Precisamos abrir as cortinas, deixar o sol entrar, e talvez tenhamos uma grandiosa surpresa ao perceber que não estamos sozinhos para limpar a bagunça da alma, basta deixarmos que uma pessoa se aproxime. Medo? Eu sei, existe. Mas sempre temos em quem confiar, aquele que não solta a nossa mão faça chuva ou faça sol. A bagunça da alma é intrínseca ao ser humano. Muitos vivem em negação, acostumados com a confusão e com o barulho externo que deixa a mente quieta, não porque é o melhor, mas sim porque é tanto barulho que não temos tempo de ficarmos a sós conosco.

É o excesso que aperta o peito, não o vazio. É o excesso de responsabilidade pelo o que não é seu problema e você acha que é, é o excesso de culpa por algo que nada tem a ver com você, é o monte de sentimentos que você acumula porque permite que a inveja e o desamor de outros ajam em você. É a incerteza sobre quem você é incutida por pessoas que supostamente te querem bem. É a vida a dois que acaba em conveniência tamanho o descompasso e a falta de cumplicidade. É a amizade que procura quando precisa e decidimos que o conceito de utilidade se aplica a nós, seres humanos, e não a coisas somente.

Encaremos os vazios interiores como um espaço para o novo. Uma página em branco para novos versos. Como um coração com mais espaço, uma cabeça mais aberta, arejada. Ter vazios significa desapego do ruim, do prejudicial! Significa coragem de dizer não quando se quer dizer não, de dizer sim quando se quer dizer sim! O vazio é a esperança que pode se materializar em algo lindo se assim desejarmos e fizermos por onde. O vazio é a parte que nos permite ouvir os sons que ressonam da alma, os ecos da intuição. As vontades legítimas, as certezas que teimamos em abafar quando os excessos nos diziam que a dúvida era o certo. Que sermos pela metade era melhor do que sermos por inteiro.

O vazio nos mostra os seres imperfeitos e inacabados que somos. Nos mostra a chance de explorar o desconhecido e abandonar o conhecido que já não nos satisfaz mais. É sermos livres o suficiente para experimentarmos o abraço mais acolhedor, o afeto mais completo, o amor mais genuíno despido de medos e preconceitos. É um convite ao novo sentimento mais intenso que te fará mais leve.

Não é questão de oito ou oitenta. O excesso do que nos faz mal não dá passagem ao vazio que pode nos fazer bem. O excesso é o fim; o vazio, o começo. O excesso é uma pá de cal em cada sonho que temos e guardamos porque ou não podemos mais sonhar sozinhos ou duvidamos da nossa capacidade de realizá-los; o vazio é a possibilidade de criarmos novos sonhos ou sonharmos a dois com alguém que caminhe lado a lado, não puxando o nosso volante na direção contrária da que queremos ir, custe o que custar. É a liberdade da mudança, é a coragem para o salto, é o fim do comodismo e da autocomiseração.

Esvazie-se.

Apaixone-se pela vida. Abra as cortinas da alma. Deixe que alguém te ajude. Ou, se preferir fazer isso sozinho, faça. Só não deixe de fazer.

Coragem.

A vida passa num instante. Ame quem te ama, esqueça quem te fez mal. Se complete de amor e carinho para que possa completar outros.

Viva.

Esqueça o que esperam de você, você é o seu maior algoz, mas também é o seu maior protetor. Ame-se e ame seus vazios a serem preenchidos. Viva a plenitude dos dias no presente. O passado é só mais uma caixa no sótão da alma. O futuro faz parte do vazio que você ainda desconhece, mas que está sendo moldado no seu hoje.

Esvazie-se. Esvazie-se. Esvazie-se. E encontre a felicidade que só esperava um cantinho para ocupar.

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