Pare. Pense. Siga.

rain5

…Closing time,

Every new beginning

Comes from some other beginning’s end.

Mesmo que você não consiga ver o que além do horizonte, algo está lá, esperando por você. Você só descobrirá se continuar caminhando mesmo quando a sua vontade é sentar no meio-fio e chorar. Mesmo quando tudo parece turvo, quando a infinita highway asfaltada vira uma rua de terra cheia de pedras e buracos, tudo o que você pode fazer é esperar a poeira assentar e continuar andando em frente até descobrir que todo recomeço, esperado, premeditado, forçado ou inesperado vem de um outro começo que já terminou…

Ou que nunca vai terminar, mas sempre se renovará ante a insistência de um coração que biologicamente nasceu para bater e que hoje acaba o dia apanhando do timing imperfeito e imprudente dos caminhos que se cruzam sem ao menos pedir licença e passam a seguir entrelaçados mesmo quando há uma bifurcação que os separa por um tempo, bate forte sempre que sente aquela presença perto, ainda que há quilômetros de distância.

Leva tempo até perceber que sonhar apesar de doer, vale a pena. Leva tempo até entender que a vida por mais dura que seja, nos ajuda a levantar sempre com uma gentileza de um estranho que estende a mão ou de um amigo que vem em nosso socorro. Demora a aceitar que você não pode ter tudo o que quer ter e que esse querer se mistura com uma necessidade tão vital quanto o oxigênio.

E você se pergunta se entendeu tudo errado. Se passou a vida pedindo errado e recebendo errado até se deparar com algo que pareceu mais certo do que tudo o que já passou no seu caminho. Hora errada? Jeito errado? Tamanho errado? Lugar errado? Medo? Indecisão? Todo passo que você dá pode ser o seu maior erro, pode envergar ou quebrar de vez mas é o risco que você corre ao decidir viver. É o preço que você paga por tomar decisões e assumir desejos, vontades… É a esquina errada que você vira na vida e descobre um café charmozinho no final da rua sem saída e entra para ali ficar e descansar um tempo enquanto a chuva cai lá fora. É a montanha russa que vira seu estômago do avesso e te mostra as borboletas escondidas que você achava que não tinha mais ou que você nunca tinha imaginado ter.

 …And if we’ve only got this life

You’ll get me through alive

And if we’ve only got this life

Then this adventure, oh than I

Wanna share it with you…

Você não nasce com um manual de instruções. Você não passa a vida conforme o livro manda, as coisas não acontecem conforme você planeja, as pessoas não são quem você pensa que elas são e as vezes isso é a melhor coisa que poderia acontecer. Você sofre tanto com a maldade alheia que quando encontra alguém que faz o bem sem pedir nada em troca até se pergunta “é comigo mesmo?”. Sim, é com você mesmo. É com você que passou uma vida sem saber o seu valor, que viveu uma vida inteira sem te dizerem o quão importante você é que você faz sim a diferença no mundo, ao menos no mundo de alguém. Você pode não ver o que tem no horizonte, mas sabe, sente, confia que não descobrirá sozinho, mesmo quando tudo indica que você perdeu uma queda de braço com a vida por aí.

Dá medo.

Assusta.

Faz o coração acelerar.

Mas é assim que você sabe que está vivo. É a adrenalina da escolha. É a dor da decisão tomada. E o conforto da voz que acalma. É a alma que não se separa, das mentes que não se desligam, dos olhos que não se desencontram. É a insistência em resgatar quem já se deixou levar por um mar de sentimentos e tormentas. É o querer que pretere o próprio bem estar, não o anulando, mas sim dando prioridade ao bem estar do outro. É a virada de mesa quando você pensa que o jogo acabou, a última cartada quando você não quer desistir ainda. Mas é também abrir a mão e deixar ir quem apesar de querer, não pode ficar e conviver com o peso da escolha feita. E vai doer. Vai faltar ar. Mas por vezes é só assim que você consegue devolver a paz de alguém, perdendo a sua por um tempo – 1 dia, 1 mês, 1 ano, a eternidade.

Não ache que é fácil decidir seguir em frente quando tudo o que você quer é ficar onde está. É preciso coragem para dar um passo quando os pés querem seguir seu coração e não a sua cabeça. É preciso força. E sim, moça (o), “é preciso força pra sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê”. Força, os mesmos passos que te deixam mais longe dos desejos do seu coração obedecendo a sua cabeça hoje podem te aproximar deles amanhã. Afinal de contas, ninguém sabe onde é o final da estrada. Tudo o que sei é que o jeito é continuar nadando, Dori.

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4 Comentários

Arquivado em Contos, Divagações

4 Respostas para “Pare. Pense. Siga.

  1. Posso até chutar que você escreveu no dia em que estava passando amizade colorida por causa da música (por sinal: faz parte da minha trilha sonora). Tive que dar uma pausa a cada parágrafo porque seus textos me refletir e sentir.
    É muita sacanagem para quem está de tpm!
    Parabéns mais uma vez!

    • Michelle

      Sempre tem alguém ou algo por trás das inspirações… E isso é bom, passa mais verdade, mais sentimento!
      Amei o que você disse sobre os textos, não tem coisa melhor para ler e incentivo maior para escrever! Só tenho a te agradecer pelo espaço!
      Obrigada, obrigada!

  2. É impressionante como você tem conseguido ser profunda através dos textos e como eles nos fazem refletir, como nos tocam. Parabéns, isso é um dom!

    • Michelle

      Tenho deixado o coração na ponta dos dedos e ele dita o tom do que acaba vindo pra cá… Cada palavra tem uma razão de estar ali. Sempre!
      Obrigada pelo carinho, procurarei sempre cuidar bem desse dom! 🙂

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