Arquivo do mês: janeiro 2016

A geração de mulheres INAMORÁVEIS!

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*Espero que vocês gostem do texto abaixo gentilmente cedido pela Akasha Lincourt, originariamente publicado em Solteira Sinistra o qual foi indicado pela Michelle e uma leitora do blog intercedeu por se tratar da “mesma linha editorial do nosso blog” (realmente amei isso):

“Uma vez, em um bar, ela me disse: “Neste mundo existe pessoas inamorável, e eu sou uma delas”…
Aquilo me intrigou durante toda a noite, uma palavra fora do dicionário que ela usava para se descrever, e por que? A observei enquanto ela, tímida, finalizava mais um copo de cerveja. Eu estava com ela havia quatro horas, quatro horas onde conversamos sobre filosofia, arte, astrologia, cinema e viagens… Quando ela se dirigia ao garçom o bar inteiro parava para vê-la… Tinha seu carro, sua casa e era do tipo que não dependia de ninguém, então por que pensar assim? Teria ela se fechado?
Ela fez uma cara de entediada e me chamou para caminhar enquanto fumava um cigarro, até a saída sorriu e comprimento todo mundo com aquele jeito sapeca de menina do mundo…
Aquilo tudo era muito pequeno e raso para ela, conclui.
Na rua todos passavam apressados, ela se divertia com os animais abandonados, abaixou e entregou sua garrafa de água pró morador da rua, explicou o endereço de uma balada em alemão para um estrangeiro perdido que agradeceu com um sorriso, comprou chicletes de uma criança
E na minha cabeça só ecoava: inamorável.
Foram horas observando aquela garota, até não me aguentar e voltar no assunto… Eu queria entender melhor, eu queria uma definição como num dicionário. Então ela pegou minha mão e me puxou para um bar onde tocava uma banda de rock, ficou em silêncio por longos 30 minutos observando tudo até que disse:
– Olhe ao seu redor, estamos já a um tempo aqui. Durante esse tempo por nós passou uma garota chorando por que seu namorado terminou com ela ontem e hoje já está com outra, pois acredita que pessoas são substituíveis… naquela mesa tem 10 pessoas e elas não conversam entre si pois estão nos seus smartphones, talvez aquela garota de vermelho seja a mulher da vida do cara de azul, mas ele nunca saberá pois é orgulhoso demais para tentar. Veja o rapaz de pólo no bar, é o terceiro copo de martini que ele toma olhando pra loira tentando chamar a atenção do vocalista que fingirá que ela não existe por causa da ruiva e da morena que ele pega em dias alternados, e ele não pode ficar mal perante as outras.
Olhe ao seu redor, não fazemos parte disso, não somos rasos, realmente não fazemos parte disso, entramos sem celular na mão, esperando encontrar pessoas legais, com papos legais, com relações reais e voltamos para casa sozinhos, somos invisíveis num mundo de status onde as pessoas não vão te querer por que você mora longe, ou por que não gostam da sua cor de cabelo ou por que você não curte os beatles, acontece tudo tão rápido que as pessoas estão com preguiça de fazer o mínimo de esforço para conhecer realmente alguém e tudo é medido em likes. Eu passo por essa legião como um fantasma pois eles estão ocupados demais para ver quem está redor enquanto procuram alguém no tinder. E eu me importo? Não mais. Sou inamoravel por que não me importo com nada disso.. Nenhum desse status, não ,e importo em quanto tempo levo para conquistar a pessoa, se ela realmente vale a pena, não me importo se terei que atravessar a cidade para vê-la quando tiver saudades e não me importo se ela me presentear com um ingresso pra ir ver o show dos beatles por que é importante para ela mesmo eu detestando a banda. Por que eu sou assim, e se antes era o que procurávamos em alguém, hoje em dia somos considerados inamoráveis por manter o coração e a mente aberta.”
Naquele momento eu a entendi, e me apaixonei pelo mundo dela.”

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Manuel Bandeira

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“Eu gosto de delicadeza. Seja nos gestos, nas palavras, nas ações, no jeito de olhar, no dia-a-dia e até que não é dito com palavras, mas fica no ar!”

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Peneira

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Entre passos e descompassos da vida, o tempo passa. E o tempo não passa igual para todo mundo. Provavelmente os planos que fizemos enquanto éramos crianças mudaram um pouco e você não se tornou um astronauta ou uma modelo de capa das Vogues da vida. Às vezes as coisas acontecem prematuramente, às vezes demoram mais do que você esperava e você acaba achando que o timing da sua vida veio com defeito. E onde você reclama do mau funcionamento do tempo? Para quem você diz que as coisas não andaram ou andam como você planejou? Particularmente nunca fiz planos de viver uma vida de dona de casa, meus sonhos sempre envolveram me formar, fazer pós-graduação, encarar mestrado e doutorado… Ou seja, acabei colocando o que eu faço na frente do que eu sou. Quando te perguntam “quem é você” o seu primeiro impulso é responder a sua idade e o que você faz da vida, não é? Você responde tudo, menos a pergunta que fizeram. Já reparou que é difícil tentarmos resumir quem somos e o que fazemos é algo mais palpável?

Os meus sonhos se resumiam a trabalho e a vida acadêmica porque eu sempre fui aquela pessoa que não acreditava que seria contemplada pela vida com um grande amor. Eu mesma nunca acreditei que encontraria alguém por quem eu largasse tudo, alguém por quem eu teria coragem de deixar tudo o que eu conheço dar as mãos e seguir uma nova estrada. Piegas mas verdade. O que a gente não conta é que logo depois da curva a vida pode nos surpreender e que nós que passamos a vida toda achando que a luz no fim do túnel era o farol do trem e não a saída vemos nossos sonhos mudarem bem diante dos nossos olhos. O quem eu sou passa a vir antes do que eu faço, pois depois de uma certa idade e do amadurecimento, seja em função da idade mesmo, seja em função das coisas que passamos na vida, nós aprendemos que correr riscos faz parte da vida e que não tem nada de mais em cair. Do chão nós não passamos!

Não faz muito tempo, li um termo que me intrigou bastante e me fez refletir sobre ele: a peneira da vida. Tal qual no futebol que as crianças passam por testes, as peneiras, para serem separadas em “você tem potencial para ser craque e você fica para a próxima”, a vida nos oferece a peneira todos os dias. Todos os dias somos convidados a não usar a peneira para tentar tapar o sol e fazer dela um subterfugio dos nossos dias atribulados mas sim utiliza-la para que só fiquem na superfície aquilo que realmente importa. É muito difícil que ao peneirar com atenção restem coisas tóxicas próximas a você. O que realmente importa, o que realmente te faz querer viver cada dia em sua potencialidade máxima sempre fica. O que cai no chão são as coisas que já não nos servem mais, são os momentos que precisamos desapegar, os sentimentos rotos que precisam dar espaço aos novos, o que teve seu prazo de validade expirado, a relação de fachada, a vida pela metade.

Com o tempo percebemos que não é fácil peneirar. Tem dias que a peneira fica tão cheia e tão pesada que tudo o que você mais quer é largar a tarefa para lá. Ok, você pode fazer isso, é uma escolha. Só não reclame depois se viver uma vida inteira chamando o joio de trigo. Se você opta por tentar separar o que te faz bem e o que não faz, a tal primeira peneirada já elimina um bom peso. Isso não é tornar fatos e pessoas descartáveis; é tornar sua vida mais leve, tendo coragem para dizer “sim, eu quero isso”, “não, isso não me serve mais”, “preciso analisar esse aqui com mais calma” ou “eu não sei mais o que isso ainda está fazendo aqui”. É fantástico o que podemos fazer com um pouco de coragem!

A tal da vida nos cobra todos os dias que tomemos decisões que nem sempre são fáceis mas precisam ser tomadas. Tropeçamos nas palavras, andamos em círculos na nossa mente e tudo isso porque precisamos decidir. Precisamos olhar para trás e tentar responder com a maior dignidade possível quem somos. Quando conseguimos olhar no espelho e reconhecer algo além das características físicas e profissionais, nós chegamos num patamar da vida onde ninguém mais consegue nos tirar do prumo. Quando sabemos quem somos, as opiniões e julgamentos que antes magoavam passam a entrar por um ouvido e sair pelo outro. Somos fortes o suficiente para sustentarmos nossas convicções, nossas vontades e desejos. Quando respondemos quem somos automaticamente sabemos quem queremos ter por perto e quem não queremos porque entra meio que naquela do “ou soma ou some”.

Quando os sonhos de criança já não são os sonhos do adulto que precisou tomar rumos na vida ou que só foi levado por ela até onde está no momento, entendemos que crescemos. Entendemos que a maturidade chegou e que com ela a sabedoria veio junto. Que a sabedoria também pode ser a sua intuição, o seu instinto. Aprendemos que sonhar sozinho é bom mas ter com quem sonhar junto, talvez não as mesmas coisas mas coisas que se complementam, é bem melhor. Mas que também se for para sonhar sozinho, que sonhemos com toda a força que tivermos pois é possível ser feliz dos dois jeitos, basta querermos. Felicidade é pura consequência das nossas escolhas. “Escolhi errado na vida” e por isso preciso percorrer a vida toda numa caminho de migalhas e infelicidade? Quem disse que não podemos mudar? É inacreditavelmente doloroso viver pela metade!

Viver com medo de colocar o pé fora da zona de conforto porque você não sabe o que te espera equivale a não viver. Isso te faz acostumar com metade quando você poderia ter o todo e ser o todo de alguém, por que não?! Assim como se acomodar no que já conhece e mentir para si mesmo dizendo que está bom assim é uma escolha. Passar a vida reclamando do que escolheu sem fazer nada a respeito é um baita contrassenso. Ou se acomoda e aceita ou cria coragem pra pular do barco. O que a gente não pode é andar em círculos na própria vida para sempre.

Com a peneira da vida você tira de si pesos que não são mais seus. Você faz por você mesmo aquilo que ninguém faria. Você se dá uma nova chance de começar a viver mais leve, com mais escolhas, com menos medo. Você sonha de novo. A um, a dois, muda os sonhos, muda o dois, muda até o um. Mas entende de uma vez por todas que jamais se pode duvidar da força do que nos faz rir e nos dá paz porque no final das contas, por mais nebuloso que possa ser, ali estará seu porto seguro.

Demore o tempo que demorar. Apenas se certifique que os passos ao menos não são afobados ou lentos demais. Se permita viver. Se permita curar suas feridas naquele em quem você encontrou sua rima, a risada escandalosa que vira risada em mute e depois volta a ser escandalosa, a conversa de horas ao telefone e a saudade da ausência de 1 hora.

Peneire. Sonhe. Viva.

A vida não espera ninguém. Se você não tirar um tempo do seu dia para analisar o que está sobre a superfície da sua vida, poderá perder, no meio da bagunça, algum tesouro precioso que poderia ser eterno.

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Clarissa Côrrea

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“Agora eu penso assim: isso vale uma marquinha de expressão? Isso vale uma noite de insônia? Isso vale a minha paz? Não, então tchau.”

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Confissões de uma garota do rímel borrado

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Por muito tempo, rastejei. Desmoronei por completo.
Não sabia confiar nos meus instintos. De repetir o mal desejado pelos olhos invejosos que procuravam me desmotivar.
Ironicamente, fui pela perversa rota da vida que me direcionava para o pior caminho.
Não entrei na dança, pois “certos dramas não valem a pena”. Estava esgotada de gastar saliva. Parecia que há tempos meu rímel não borrava tanto.
Foi neste momento quando abracei minhas decisões e os meus medos, me libertei de guardar por você e aqueles sonhos que sucumbiram. Caminhei de mãos dadas com a minha obstinação até que pudesse percorrer o restante do trajeto por minhas pernas.

1 comentário

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Lar

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Everybody wants something, just a little more
We’re makin’ a living and what we’re livin for?
A rich man or a poor man, a pawn or a king
You can live on the street, you can rule the whole world
But you don’t mean one damn thing

É, eu sei. Eu sei que por vezes esperar é um saco. Eu sei que por vezes o “melhor que nada” se assemelha ao placebo que se toma e engana o organismo esperando surtir o efeito de é “suficiente” quando na verdade o “melhor que nada” é sentido como nada mesmo.

É, eu sei. Eu sei que por vezes desistir de algo parece a melhor opção, a mais certa, a mais covardemente fácil – sendo que provavelmente nada a respeito do assunto seja tão fácil assim – e você até tenta desistir, mas acaba percebendo que mais difícil do que ir embora é conviver com a ideia de potencialmente abrir mão daquilo que você sempre quis na vida porque você preferiu acreditar naqueles 50% de chance de tudo dar errado esquecendo que do outro lado da corda bamba estão os 50% de chance de tudo acabar maravilhosamente bem.

Eu entendo que as pessoas entram e saem da nossa vida deixando marcas e que algumas delas, pelo menos uma, ocupa o lugar mais confortável do seu coração. Essa pessoa pode ser a mesma que deixa uma sensação de “e se”, um pulsar de assunto inacabado ou não propriamente começado e só de ouvir falar dessa pessoa é como se um gatilho disparasse em você um milhão de sensações e pensamentos, te fazendo ir em várias direções dentro de si mesmo e quando você tenta descrever você não consegue, palavras são inúteis. A vastidão de palavras não dá conta de descrever o que se passa dentro de você. E quer saber? Isso é estar vivo.

What do you got, if you ain’t got love
Whatever you got, it just ain’t enough
You’re walkin’ the road, but you’re goin’ nowhere
You’re tryin’ to find your way home, but there’s no one there
Who do you hold in the dark of night?
You wanna give up, but it’s worth the fight
You have all the things, that you’ve been dreamin’ of

A sensação de “e se” pode virar “foi assim” se você der tempo ao tempo. O assunto inacabado pode acabar, de um jeito ou de outro, se você der tempo ao tempo. Quanto tempo? Ninguém sabe, mas com certeza se você desistir agora você jamais descobrirá o que tem atrás dessa porta. Tudo o que você mais quer na vida pode estar a um dia, a um mês, a um ano de você. A escolha de permanecer se achar que vale a pena é sua. Esperar pode ser bom e você pode entender isso até como um “conhece-te a ti mesmo”, descobrir suas reais vontades, quem realmente importa, com o que você realmente se importa e o que é grande em seu coração e o que já não faz mais tanto sentido assim.

Eu sei, eu sei… Eu sei por vezes parece que você tem pernas curtas demais para saltar de um lado a outro deixando seu coração e sua cabeça no mesmo compasso. Mas sabe, se você tiver que dar três, quatro, cinco passos para trás para tentar pular, dê. Retroceder não significa parar de todo, significa avaliar melhor a situação para decidir seguir em frente ou não. O medo aqui só pode ser um: o de não seguir a sua maior vontade, não o de não tentar. Nenhuma perna é curta demais se no meio do caminho você descobre uma vara que te torne um saltador em altura habilidoso ou se você descobre uma outra forma, mais segura, de atravessar tudo isso. E eu tenho certeza que olhando tudo de longe alguma coisa em você vai mudar.

Se for para correr e tentar passar para o outro lado, a saudade vai doer, a necessidade da presença vai gritar, a necessidade de encarar um novo desafio, seja pessoal, seja profissional, vai falar mais alto do que o comodismo da situação já conhecida ou que a conformidade vivenciada dia após dia. Se for para dar meia volta, a necessidade de restabelecer o status quo, de fazer o que você já vive dar certo, de se empenhar mais no que você estiver fazendo vai falar mais alto do que aquela vozinha que te diz para tentar algo novo. No final das contas, você saberá como agir.

If you ain’t got someone, you’re afraid to lose
Everybody needs just one, someone… to tell them the truth
Maybe I’m a dreamer, but I still believe
I believe in hope, I believe the change can get us off of our knees

Lugares favoritos não são muitas vezes feitos de paredes; são muitas vezes feitos daquela sensação de proteção que temos ao estarmos com quem nos inspira confiança. Lugares favoritos muitas vezes não são como a Torre Eiffel ou a Estátua da Liberdade; são como estar no meio de um certo abraço, de uma certa pessoa ou estar no local que você sente ser “o seu lugar”. Se pergunte se você tem esse lugar. Se você está feliz com todos os aspectos da sua vida. Se quem você abraça é quem você quer realmente abraçar, se quem você beija é quem você realmente quer beijar, se o seu trabalho é realmente o que te realiza… Se não for, se pergunte o que você ganha fazendo tudo isso sem amor. Se obtiver uma resposta, apenas se assegure de que ela não seja aquele placebo…

If you ain’t got love, it’s all just keeping score
If you ain’t got love, what the hell we doin’ it for?*

Eu sei. Eu sei que é difícil enfrentar os problemas e as situações de frente mas se você ainda perdesse calorias fugindo delas isso valeria de algo. Mas você não perde calorias, você só perde tempo porque tudo isso sempre te alcança. Também sei que se a gente prestar atenção, a gente sabe sempre o que fazer. Tudo na vida tem uma consequência, algumas mais fáceis de lidar do que outras. Mas se você não faz o que faz com amor, por que raios você faz?

Esteja onde estiver

Esteja com quem estiver

Esteja com quem ou o que te faz ter a sensação de estar em casa.

Porque é como dizem, não há nada como o nosso lar.

*Bon Jovi – What Do You Got?

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Anatole France

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“Defendo as minhas imperfeições como se fossem a própria essência do meu ser.”

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