Conforto

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Palavras faltam quando queremos dizer muito a quem significa muito a nós justamente porque ficamos procurando as palavras que perfeitamente traduzam o que sentimos. Buscamos, então, em músicas, citações de filmes, de livros. Frases marcantes entre duas pessoas que para sempre serão lembradas em um contexto que só interessa a quem disse.

Palavras são insuficientes quando mesmo na ausência da pessoa você não para de pensar nela e de lembrar todos os momentos que passaram juntos. Palavras que permearam longas conversas ao telefone, bate papos nos mais variados meios de comunicação, pouco fazem por nós quando queremos fazer com que o outro entenda o quão importante é por fazer nosso coração transbordar.

Eu sei que as coisas não acontecem exatamente como queremos e nem quando queremos. Eu sei que as vezes as coisas que pretendemos jamais são alcançadas, que a espera cansa mais do que uma maratona mas que o desfecho pode ser tão delicioso e feliz quanto cruzar a linha de chegada. Você corre uma maratona por dia com as voltas que seu pensamento dá e percebe que eles começam e terminam exatamente no mesmo lugar. Exatamente na mesma pessoa.

Percebe que a sua vida muda sem você perceber, que tomam de assalto os seus sonhos, os seus segundos, que agora você tem – e você pode ser – a pessoa lembrada no meio de uma reunião importantíssima ou de um dia atribulado, e não só na calada da noite quando bate a solidão e a vontade de não dormir sozinho. Percebe que já não lembra mais como era a vida antes disso. E que não quer lembrar de como era porque provavelmente era um filme de cinema mudo em preto e branco.

Não que filmes de cinema mudo em preto e branco não tenham a sua beleza, mas… Insuperável o som da risada, a delicadeza da palavra na hora certa, os olhares que se entendem e os pensamentos que se cruzam. Insuperável ter quem venha com as tintas vivas pintar as telas em branco do nosso coração e que venham nos permitir sermos protagonistas de um filme cujo roteiro é escrito e reescrito a cada segundo, nunca por uma pessoa só.

Quando você se dá conta de que esperar dói mas que não esperar dói mais ainda, você decide abrir mão da dor da desistência para deixar que a vontade do seu coração fale mais alto. Se um dia você já se sentiu tolo por não seguir sua razão, definitivamente já não se sente mais assim uma vez que seu começo, meio e fim já não são só mais seus. Independente do que digam, uma hora você se prioriza e deixa que sua voz fale mais alto do que qualquer outra voz por aí.

Apanhando da vida você dá valor a quem vem para te afagar. Você reconhece a bondade e a doçura gratuita que de supetão te pegaram pela mão e trilham com você todos os caminhos que você decidir ir. Não tendo uma vida muito fácil, muitas vezes escondendo sua essência, você aprende que seu lugar é onde você se sente livre. É com quem te dá segurança e paz de espírito mesmo que o resto do mundo esteja em guerra. É quem faz da tempestade lá fora e da falta de luz aqui dentro o cenário perfeito para se estar junto.

Se você hoje se sente segunda opção, as vezes de você mesmo já que não se prioriza para diplomaticamente acatar tudo em função e para o bem de todos, menos de você mesmo, se pergunte se isso te fará ser o plano A algum dia. Se não é inútil ser step da sua própria vida. Se não é melhor sair da rota, arriscar uma jogada… Se ser feliz não conta mais do que estar sempre seguindo as regras do jogo e viver sem surpresas, sem novos encantos, sem grandes amores ou belas lembranças.

Você não precisa saber todas as respostas agora. Você não precisa saber como conseguirá, se conseguirá, ninguém consegue prever o futuro mediato, quanto mais o imediato. Você só precisa continuar andando, continuar pensando, continuar tentando. Perseverar no que você acredita, fechar os ouvidos ao que não interessa e ser forte para sustentar aquilo que te faz completo e feliz.

Se o ano é novo, seja novo também. Nada mais justo do que nascer de novo com o ano que acabou de nascer e a cada dia fazer da chance dada pelo dom da vida algo que vale a pena. Não se permita cair nas velhas armadilhas que sempre te faziam desistir de algo porque era muito difícil. Não seja aquela pessoa que com o passar do tempo se pergunta como foi que deixou tantos anos escoarem por entre os dedos sem perceber. Não seja a pessoa que passa uma vida inteira na zona de conforto, olha para trás e se arrepende de não ter escolhido este ou aquele caminho porque teria um pouco mais de trabalho mas seria muito mais feliz. E também não seja aquela pessoa que se arrepende da escolha que faz se a escolha de permanecer naquilo que já conhece for feita com o coração.

Se algum dia você se perguntar “eu fiz o que pude?”, viva de forma a poder responder sinceramente que sim. Não existe presente maior do que viver sabendo que você deu o melhor de si, o tempo todo. Seja o que for, seja verdadeiro. O tempo passa diferente no compasso de cada vida. Mas, algumas vezes, os segundos dos sorrisos que se abrem na presença um do outro são os mesmos. E você descobre que não pode mais viver sem eles.

…You make me feel
Like I am home again…

 

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2 Comentários

Arquivado em Contos, Pessoal, Romance

2 Respostas para “Conforto

  1. Ainda bem que existe você pra nos dar esses “empurrões” quase que dizendo “VAI VIVER A VIDA!!”. Obrigado por transformar tanto sentimento em palavras, palavras que nos ajudam, motivam, nos fazem sorrir.
    Parabéns por mais um excelente texto.

    • Michelle

      Eu realmente quis dizer “VAI!”:D
      Se algo do que eu digo é aproveitável, só posso ficar feliz e te agradecer por me deixar saber! Viva la vida!

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