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Se ele/ela quer ir embora, não seja a pessoa que suplica para que fique; seja a pessoa que abre e segura a porta e ainda diz “então vai”.

Se você quer ir embora, vá. Vá embora de uma vez mas não fique empacando o fluxo de pessoas que transitam por ali porque que você não sabe se passa para o lado de fora ou fica do lado de dentro.

Se ele/ela quer ir embora, não seja a pessoa que mendiga carinho e atenção, perguntando com quem você assistirá filmes numa madrugada insone; continue segurando a porta e dizendo “então vai”.

Se você quer ir embora, vá. Queime a ponte de uma vez antes que você se veja cruzando o mesmo caminho novamente sendo que você o faz por pura questão de hábito. Ou assuma que cruzar esse caminho nessa ponte de madeira velha e oca é o que você quer. Mas não fique “criando raiz” atrapalhando o transito alheio e o próprio transito das suas ideias.

O pior daquela pessoa que vive pela metade e só acostumou ver o mundo como um cavalo no cabresto é que ela quer te convencer que assim que é bom e quer te fazer viver da mesma forma. E se você não souber exatamente o que quer, sucumbe, as vezes porque é só nesse limbo que você se sente próximo dessa pessoa e acha que pode fazer dessa metade um todo.

Mas não. Uma metade nessas condições jamais será um todo porque é preciso coragem para aceitar que a vida é mais que isso e que você não é uma metade esperando outra pra formar um todo fora do limbo da vida mal vivida; você é um todo completo e perfeito esperando outro inteiro que com você fará a intersecção e, no ponto de união, descobrirão o que faz um ao outro transbordar.

Quando se vive na sombra da vida, o vento gelado já não gela mais porque você acostuma com a temperatura por nunca sair dela. Uma vez que alguém te carrega para o sol e te mostra que o mundo é maior do que o caroço de azeitona que você conhece, você sente sua pele queimar e acha que vai morrer frito… Quando na verdade seu corpo te diz que está vivo e tem mais experiências a viver.

Os covardes não aproveitam a oportunidade para enveredarem pelas descobertas da vida nova; voltam para as sombras sentindo falta de coisas que nunca tiveram e nunca terão por pura falta de pulso. Os corajosos, por sua vez, buscam impulso. Pensam em si e no que realmente importa, se fecham para as pirraças e egoísmo de quem os quer na sombra e vão correndo ao encontro da vida. Vão correndo ao encontro do sol. Do mar. Da areia da praia.

O conforto da sombra da vida não espera de você nenhuma atitude. Mas é nele que você continua cultivando sua gastrite, tomando seus calmantes e perdendo suas noites de sono. É uma falsa sensação de conforto única e exclusivamente existente porque é o que já se conhece. É o campo minado da alma que acha que viver a faixa de Gaza todos os dias já virou o jeito certo de viver. Se o embate fosse só interior você ainda daria um jeito de viver fingindo que está tudo bem mas nunca é. Tem sempre mais alguém envolvido.

Enquanto você se preocupa com sentimentos de alguém que pouco se importa com os seus, você se flagela e se martiriza buscando respostas que você já tem mas que estão além do medo. Além da sombra. Além da área a ser desbravada. Enquanto você não se preocupa em consertar o seu mundo buscando respostas para mundos alheios, o seu mundo desmorona e pega o muro do mundo ao lado que não tem nada com isso a não ser acreditar que estar ali te escorando seria o suficiente.

Todos os dias que você diz que você não sabe para onde ir ou o que fazer, você vai para algum lugar e faz algo. Todos os dias que você se diz que não sabe como decidir se pinta a casa de azul ou de amarelo, a casa se mantém branca em essência mas a aparência encardida te faz pensar que você mora numa casa feia quando na verdade ela só está mal cuidada. E por você mesmo, único culpado por sua alegria ou tristeza no final das contas. E ainda que se que diga que pessoas nos afetam, as coisas têm a importância que damos a elas. E a partir do momento que você se nega a permitir que coisas que antes machucavam continuem machucando, você toma as rédeas da sua vida e se abre a um leque de novas oportunidades e o mais importante: você se permite a cura. E se permitindo a cura, você entende que priorizar o que sente e o que pensa não é egoísmo; é sobrevivência, é exercício de amor próprio.

Deixar ir é tão ato de amor quanto permanecer. Acontece que não deixamos ir ou permanecemos pelos motivos errados. Você reclama que o preço da escolha é caro mas te garanto que pagar caro em 1h de estacionamento na vida é muito menos doloroso do que pagar 365 dias nesse plano fidelidade que só te suga. Se você tem dois preços a escolher, se você tem dois pesos a dar, só você pode fazer isso mas não espere que quem combinou de te encontrar para a sessão de cinema das 19h esteja lá 365 dias depois porque você não teve coragem de ligar o carro e sair andando. Não é nem justo esperar isso de alguém.

Se ele/ela quer ir embora, segure a porta e diga vá. É nessa hora que você separa “os homens dos meninos”. Ou se ele/ela não vai embora, vá você. Mas não ouse não viver. Se a sorte escolheu você e você cego nem nota, alguém vai notar. E quando isso acontecer, aprenda a lição e continue o jogo da vida. Você pode ter perdido o jogo, mas se você está num campeonato todo mundo perde alguma hora. No final, só um leva o troféu para a casa e se não for você, outro vai. Por isso ficar empacado só vai te fazer tomar W.O. da vida.

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