Arquivo do mês: abril 2016

Você vive. Você aprende

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Apanhamos. Da vida, das situações, de nós mesmos. Apanhamos das nossas escolhas, do nosso livre arbítrio. Apanhamos e escolhemos não sucumbir à dor dos duros golpes porque julgamos que as surras valem a pena por aquilo que se pretende ter e conseguir.

Obstinados demais ou idiotas demais, não desistimos quando o mundo todo nos diz que devemos desistir e seguir em frente. Desistir de algo que lutamos tanto e passamos tanto tempo segurando firme a corda que queimou nossas mãos e machucou tanto que sequer dói mais; acostumamos com a dor das situações que nos colocamos e ali vivemos, fazemos morada no comodismo e na dormência.

Percebemos que vale a pena lutar, seja pelo o que for, quando pensar na possibilidade de uma vida sem aquilo que queremos equivale e tirar qualquer sentido do que conhecemos. Equivale a perder o chão, viver com balão de oxigênio porque respirar sozinho já não parece mais opção. E é por isso que aceitamos as surras da vida; me valendo da licença poética, nós aceitamos as surras que pensamos merecer por aquilo que pretendemos ter.

Verdade nua e crua, nem sempre apanhar da vida e do nosso livre arbítrio vale a pena. Por vezes queremos acreditar que a solução vai aparecer na próxima curva e você se obriga a continuar andando até lá para descobrir que nada aconteceu de novo. E você insiste naquilo que te faz chorar com a esperança de que um dia seja o que te faça sorrir. Não vale a pena mas que mal tem nisso? Nenhum, se você está disposto a pagar o preço do calvário da espera. Se você está disposto a se transformar de galho seco em bambu.

Somos galhos secos que se moldam pela vida e através da vida naquilo que quisermos, inclusive em bambu. O bambu enfrenta tempestades e não se curva diante das intempéries, segue imponente na sua função, criando raízes profundas que se estendem pela terra tornando difícil a vida daquele que quer arrancá-lo sem cortá-lo ao meio. Talvez seja a sina da vida do ser humano que sofre por opção; acabar virando bambu se prestar atenção naquilo a que está se prestando.

Todos temos nossos dias de galho seco. Todos nós alguma hora, em alguma situação, por mais que desejemos tal coisa mais do que tudo do mundo, podemos quebrar. Por mais firme que seja o pensamento e fixa seja a ideia de obstinação, existe aquele dia que nos sentimos idiotas por querer demais algo que parece longe demais. Como num exemplo um tanto esdrúxulo, uma grávida espera que sua bolsa se rompa para que possa ter seu filho por parto natural e a bolsa não se rompe. Ou ela espera, correndo todos os riscos da espera que mesmo calculada pode trazer surpresas – agradáveis ou não, ou ela opta pela intervenção cirúrgica, antecipando seus planos mesmo contra a sua vontade.

Temos que parar por vezes de prestar atenção no que queremos e começar a prestar atenção naquilo que merecemos. Quando as duas coisas não se coadunam, por mais fé em Deus e na vida que você tenha, você precisa mudar. Você não muda ninguém, o único poder que você tem é de mudar a si mesmo e as suas atitudes. Rever seus conceitos, suas prioridades. O que dói e merece continuar na sua vida da mesma forma como que faz rir pode ser descartável por nada agregar. São múltiplas possibilidades que você consegue vislumbrar e colocar em ordem com um simples passo para trás.

Um passo para trás é sobrevivência. É sanidade. É emocional no lugar dele, racional no lugar dele e o início do desembolar do novelo de lã que se formou na sua vida de cosplay de Rocky Balboa. Porque não importa o quanto a vida te bata e nem o quão forte seja o soco na boca do seu estômago; o que importa é se você tem a força para seguir em frente. Saber seguir em frente mesmo depois de tudo é sinal de maturidade, assim como saber a hora de dar esse passo para trás e ver se o caminho é esse mesmo.

Ninguém consegue viver no masoquismo sentimental das lutas inglórias por muito tempo sem desabar ao menos um pouco vez ou outra. Como diz a música “Dom Quixote” dos Engenheiros do Hawaii:

“Por amor às causas perdidas

Tudo bem, até pode ser

Que os dragões sejam moinhos de vento

Muito prazer, ao seu dispor

Se for por amor às causas perdidas

Por amor às causas perdidas”

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A virtude do obstinado é o defeito do idiota e ambos podem estar na mesma pessoa: não acham que existam causas perdidas. Mas mesmo estes cansam. E tudo o que querem, no final do dia, é parar de apanhar um pouco para que os olhos inchados consigam se abrir e ver que o sol nasce e dorme todos os dias, e nossas chances de fazer melhor seguem o mesmo caminho.

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Gentileza nunca é demais

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Não acredito que a felicidade esteja reduzida a ser encaixada nos padrões da sociedade, em especial, quanto ao seu “status de relacionamento”: a minha felicidade é estudar muito, me divertir lendo desde os best-sellers aos clássicos (sim, sou nerd!), fazer maratonas no Netflix nos finais de semana confortavelmente no meu sofá, mas não recuso uma ida ao cinema, dançar sempre que possível, sair com amigos, de vez em quando aproveitar Junkie food, deixar os outros serem quem são e viver como quiserem.
Há tanta intolerância que atualmente é mais fácil julgar e tentar impor a sua visão ao mundo do que compreender o outro e a respeitá-lo por isso.
Posso não concordar com tudo e com todos sempre, mas posso ouvir e relevar sua opinião. Muitas vezes, confesso que tento deixar para lá porque praticamente hoje tudo é polemizado e estigmatizado. 
Ter livre acesso à internet e por consequência às redes sociais, não lhe dá o direito de expressar suas opiniões, batendo o martelo na vida e determinado como ela deveria ser para a coletividade. 
É difícil aprender com o diferente da gente, a ouvir, a observar e defender seu ponto de vista sem querer definitivamente imprimir-se como o melhor. Raramente haverão unanimidades. Nada é eterno, a vida é efêmera que está em constante mudanças, adaptando-se à realidade imposta.
Devemos desacelerar, tentar-se afastar da nossa severa verdade para enxergar o respeito, a Justiça e a dignidade que estão encobertas pela nebulosa aparência: quantas vezes postamos algo feliz para esconder a tristeza ou ainda fazemos posse escondendo o choro pelos cantos?!
Nem sempre há tempo para esconder que o rímel está borrado ou muito menos conseguimos passar um corretivo no rosto para ofuscar as nossas olheiras de preocupação.
Aceite-se e também entenda o outro, perceba o que está abaixo da superfície, mascarando a verdadeira foma de quem somos. A realidade é apenas uma noção, mera ilusão. Procure ser autêntica com você e para os outros. Gentileza nunca é demais.

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Tolerância

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Você realmente não encontra a paz interior quando não se permite a estar presente única e exclusivamente na sua companhia apenas: é libertador sair sozinha, seja para almoçar, seja para ir ao cinema.

É libertador, mas cuidado: isto pode causar a fúria daqueles que não possuem tal coragem, ou ainda eles podem perceber que não são tão agradáveis, inclusive para a própria pessoa.  A inveja permanece um fator predominante em nossa sociedade, principalmente com as mulheres.
Apesar de estarmos vivendo em pleno Século XXI, infelizmente, há muitas mulheres que procuram puxar o tapete e tentar minar qualquer vestígio de autonomia e independência nas outras.
Juro que não entendo isso: sou da geração dos anos 80/90 que foi incentivada a desbravar tudo que desejasse fazer, abertamente expor os tabus e falar sobre tudo. Talvez seja por isso que não permitimos discriminação qualquer que seja e de igual modo, não permitimos sermos tratadas como objeto ou propriedade.
Nada assusta mais do que ser autêntico às suas origens, crenças e opiniões.
Já ouvi diversas vezes de outras mulheres  mais velhas e até de outras mais jovens do que eu, nos meus 30 anos: “você deveria pensar em uma carreira não tão visada”, “como você fará para manter uma casa e cuidar do marido?”.
Ora, a minha educação foi no sentido de que enquanto eu não transgrida as leis, mantenha a dignidade e o respeito com o próximo, é perfeitamente possível correr atrás dos seus objetivos por mais alto que possa parecer para uma “baixinha” de 1,595m (por favor, nunca desconsiderar os meus 0.005 m).
Você pode e deve lutar pelo que acredita. Se você quer muito algo, corra atrás, permita que o outro encontre seu caminho e seja feliz!

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Ir embora

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Às vezes você tem que ir embora. Mesmo sem querer ir. Mesmo que você ainda tenha forças para aguentar mais um tempinho a ficar ali. Às vezes você tem que ir embora porque os motivos que te faziam ficar na verdade não existiam, eram uma verdade fabricada ou eram apenas uma parte da história. Às vezes você tem que ir embora a tempo de salvar-se a si mesmo de sentimentos tóxicos que no final anulem todos os bons que você tinha.

Às vezes você tem que ir embora. Ir embora do momento em que se encontra, da areia movediça em que se colocou. Tem que sair do estado de inércia da espera porque o que te faz esperar está acorrentado e mesmo vendo as chaves que o libertam dos grilhões não tem a capacidade de usá-las.

Ir embora exige coragem assim como abrir as portas do mundo e colocar os pés para fora das zonas de conforto. Eu sei, a sensação que dá é que sentamos no parapeito de um prédio alto e os pés ficam balançando no ar, sem chão a menos de uns cinco mil metros dos pés. E você se sente sem paraquedas e por isso não pula porque embora saiba que a sua vida inteira depende do salto muitas vezes, sua covardia e seu medo te fazem recolher os pés e voltar para o que você detestava mas já conhecia. As tais zonas de conforto que você sempre reclamou mas nada fez a respeito.

Em algum ponto da sua vida você percebe que ou você mata, ou você morre. E tem que escolher se será para sempre presa fácil do seu próprio destino ou se vai passar a matar seu comodismo e ir atrás do que quer. Nem que para isso você tenha que ir embora. Ir embora também significa chegar. Você não vai só embora. Você sempre chega em algum lugar depois que começa a caminhar.

Se a imutabilidade das situações fosse aplicável a nós indistintamente, teríamos nascido com raízes feito as árvores. Mas não. Nos resignamos com cada situação na vida na base do “tem que ser assim” só porque é mais cômodo. Porque dá medo fazer algo a respeito. Só tem que ser assim se a gente quiser que seja. Não tem milagre e nem adianta chorar depois. Nada paga ter um “eu tentei” estampado na testa.

Esquecemos ou fingimos que esquecemos que escolhas são passíveis de mudança. Que tudo tem sim suas perdas e seus ganhos. Mas o livre arbítrio nos permite mudar e no final do dia, mesmo que você não queira, ou você matou, ou você morreu. Ou você matou e morreu. No dia seguinte, tudo de novo. Mas do jeito que você determina.

Se você vive com a cabeça enfiada no casco você acha que o mundo é aquilo ali. E toma um susto quando vê que não é e que tem bem mais a explorar. Aí você se equilibra na corda bamba das decisões a tomar. Quebra a cara, cai, aprende a levantar. Quando vê, está craque nisso. Isso é viver.

Ir atrás do que se quer com a coragem de quem sabe que está fazendo o possível é a melhor coisa. O medo não pode nos impedir de tentar. E o medo não pode nos impedir de ir embora também. Porque talvez ir embora seja a única coisa que nos salve de morrer em vida.

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