Arquivo do mês: setembro 2016

Cheguei

tumblr_nk6vivBCLO1r6hgiko1_500

Desculpe, eu me atrasei.

Eu me atrasei na minha própria vida, perdida entre histórias sem pé nem cabeça. Perdida entre ruas sem saída e becos que não levavam a lugar nenhum dentro de mim mesma.

Desculpe, eu me atrasei.

Eu me atrasei olhando para dentro de mim mesma e não enxergando nada além de breu. Não vendo nada além de bifurcações que eu não sabia como desvendar.

Desculpe, eu me atrasei.

Eu me atrasei não olhando para os lados. Tendo medo da vida. Ficando presa em um mar de mentiras que contei para mim mesma durante tanto tempo sobre mim mesma que acreditei em todas elas.

Desculpe, eu me atrasei.

Eu me atrasei pensando ser o sinônimo de fracasso. Eu me atrasei deixando que os outros segurassem a caneta e escrevessem o roteiro da minha própria vida. De como meu corpo deveria ser; de como eu deveria agir; com quem eu deveria estar; para onde eu deveria ir.

Desculpe, eu me atrasei.

Eu me atrasei deixando a vida passar por mim. Fazendo as vontades gerais da nação. Deixando os outros felizes em troca de amargar um pouco de infelicidade por não ser a expressão real da minha vontade. Desculpe, eu me atrasei imersa em mim mesma sem saber como sair.

Desculpe, eu me atrasei.

Eu abri os olhos mas demorei a enxergar. Eu abri os braços mas demorei a abraçar. Eu abri o coração mas demorei a amar. Desculpe, eu me atrasei, mas eu cheguei.

Eu cheguei no fim da rua sem saída e percebi que conseguia escalar o muro das minhas inseguranças. Eu subi no muro e vi que do outro lado havia muito mais do que eu achava que era a vida.

Eu cheguei.

Eu cheguei onde as pessoas já não mais seguram a caneta que pinta as cores do meu destino. Eu cheguei onde as minhas vontades são as minhas razões suficientes para escolher o que escolho, estar onde estou, fazer o que eu faço, querer o que eu quero e querer quem eu quero.

Eu cheguei.

Eu cheguei no espelho que tanto fugi a vida toda por ter pavor do que nele refletia e percebi que hoje reflete a minha imagem e finalmente eu me reconheço. Eu reconheço a pessoa que um dia já deixou de gritar por medo e que hoje tem medo de deixar de gritar. Eu reconheço a pessoa que um dia se afogou nas palavras que não disse e que hoje só deixa o ar faltar quando ri demais.

Eu cheguei.

Eu cheguei no meio do caminho. Com os pés cansados. Os mesmos pés cansados que já andavam sem rumo, desnorteados, e acabaram tropeçando em um trevo de 4 folhas que era a felicidade vinda de um encontro fortuito da vida.

Desculpe, eu me atrasei para chegar na minha própria vida. Mas eu cheguei.

Desculpe, eu me atrasei para chegar na sua vida. Mas eu cheguei. E eu prometo que eu não vou deixar que nenhum outro atraso das palavras não ditas nos incomode de novo.

Me desculpe ter demorado tanto. Mas eu estou aqui. E talvez seja o momento certo, talvez não existam atrasos reais. Conceitos de tempo e espaço são muito relativos. A urgência é por ser feliz.

Me desculpe ter demorado tanto. Mas eu estou aqui. E estou esperando você na outra metade do caminho.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Contos, Desenvolturas, Divagações, Pessoal, Romance, Sem categoria