Arquivo do mês: abril 2017

Freud pergunta. Você explica.

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Muitas vezes as pessoas vivem desordens externas por conta das desordens internas que não têm coragem de enfrentar. É difícil olhar pra si mesmo e imaginar espelhos que refletem, lá dentro, tudo aquilo que não queríamos notar em nós, seja por medo, seja por preguiça de mudar o que não tá legal “porque é muito difícil”. Acredito que a nossa covardia nos faz perder muito mais do que ganhar, até mesmo porque muitas vezes para ganharmos algo temos que perder outros “algos” e por aí vai. A vida bagunça do lado de fora porque nossos atos desordenados do lado de dentro transcendem, querendo ou não, nos nossos dias. Nossas escolhas viram piloto automático, repetimos o que já sabemos pq nos é mais confortável, ou menos incômodo, não ter que ir contra nada e nem ninguém. Damos muita importância ao que os outros pensam quando ninguém vive a nossa vida por nós ou suporta os ônus das nossas escolhas, ou participa dos bônus. O fato de não querer se incomodar em travar algum tipo de batalha pra ter o que tá do outro lado do muro é o conforto da desordem. A desordem é confortável, afinal na maior parte do tempo é como passamos a maior parte da vida: reclamando dela. Sem ela, o que teríamos que fazer senão viver?! Além de viver, o que faríamos se tivéssemos que bater no peito e chamar a responsabilidade dos nossos “eu quero” “eu não quero”? Assumir o que queremos e limpar a bagunça ou reclamar todos os dias de chegar em casa e ver papéis espalhados pelo chão quando fomos nós mesmos que esquecemos a janela aberta ou não tomamos o cuidado de colocar um peso em cima. A vida é bem complicada quando as coisas não dependem só de nós. Mas piora sensivelmente quando nem o que depende só de nós nós conseguimos fazer. Ou sejamos honestos: o não conseguir fazer pode muito bem um não quer fazer. E aí todas as desculpas do mundo são convidativas à permanência do que já se conhece. Você sempre vai ter um motivo para continuar no mesmo lugar. A não ser que você queira ter pernas ao invés de raízes profundas… e aí sim, viver.

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