Arquivo da categoria: Desenvolturas

Freud pergunta. Você explica.

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Muitas vezes as pessoas vivem desordens externas por conta das desordens internas que não têm coragem de enfrentar. É difícil olhar pra si mesmo e imaginar espelhos que refletem, lá dentro, tudo aquilo que não queríamos notar em nós, seja por medo, seja por preguiça de mudar o que não tá legal “porque é muito difícil”. Acredito que a nossa covardia nos faz perder muito mais do que ganhar, até mesmo porque muitas vezes para ganharmos algo temos que perder outros “algos” e por aí vai. A vida bagunça do lado de fora porque nossos atos desordenados do lado de dentro transcendem, querendo ou não, nos nossos dias. Nossas escolhas viram piloto automático, repetimos o que já sabemos pq nos é mais confortável, ou menos incômodo, não ter que ir contra nada e nem ninguém. Damos muita importância ao que os outros pensam quando ninguém vive a nossa vida por nós ou suporta os ônus das nossas escolhas, ou participa dos bônus. O fato de não querer se incomodar em travar algum tipo de batalha pra ter o que tá do outro lado do muro é o conforto da desordem. A desordem é confortável, afinal na maior parte do tempo é como passamos a maior parte da vida: reclamando dela. Sem ela, o que teríamos que fazer senão viver?! Além de viver, o que faríamos se tivéssemos que bater no peito e chamar a responsabilidade dos nossos “eu quero” “eu não quero”? Assumir o que queremos e limpar a bagunça ou reclamar todos os dias de chegar em casa e ver papéis espalhados pelo chão quando fomos nós mesmos que esquecemos a janela aberta ou não tomamos o cuidado de colocar um peso em cima. A vida é bem complicada quando as coisas não dependem só de nós. Mas piora sensivelmente quando nem o que depende só de nós nós conseguimos fazer. Ou sejamos honestos: o não conseguir fazer pode muito bem um não quer fazer. E aí todas as desculpas do mundo são convidativas à permanência do que já se conhece. Você sempre vai ter um motivo para continuar no mesmo lugar. A não ser que você queira ter pernas ao invés de raízes profundas… e aí sim, viver.

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Cheguei

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Desculpe, eu me atrasei.

Eu me atrasei na minha própria vida, perdida entre histórias sem pé nem cabeça. Perdida entre ruas sem saída e becos que não levavam a lugar nenhum dentro de mim mesma.

Desculpe, eu me atrasei.

Eu me atrasei olhando para dentro de mim mesma e não enxergando nada além de breu. Não vendo nada além de bifurcações que eu não sabia como desvendar.

Desculpe, eu me atrasei.

Eu me atrasei não olhando para os lados. Tendo medo da vida. Ficando presa em um mar de mentiras que contei para mim mesma durante tanto tempo sobre mim mesma que acreditei em todas elas.

Desculpe, eu me atrasei.

Eu me atrasei pensando ser o sinônimo de fracasso. Eu me atrasei deixando que os outros segurassem a caneta e escrevessem o roteiro da minha própria vida. De como meu corpo deveria ser; de como eu deveria agir; com quem eu deveria estar; para onde eu deveria ir.

Desculpe, eu me atrasei.

Eu me atrasei deixando a vida passar por mim. Fazendo as vontades gerais da nação. Deixando os outros felizes em troca de amargar um pouco de infelicidade por não ser a expressão real da minha vontade. Desculpe, eu me atrasei imersa em mim mesma sem saber como sair.

Desculpe, eu me atrasei.

Eu abri os olhos mas demorei a enxergar. Eu abri os braços mas demorei a abraçar. Eu abri o coração mas demorei a amar. Desculpe, eu me atrasei, mas eu cheguei.

Eu cheguei no fim da rua sem saída e percebi que conseguia escalar o muro das minhas inseguranças. Eu subi no muro e vi que do outro lado havia muito mais do que eu achava que era a vida.

Eu cheguei.

Eu cheguei onde as pessoas já não mais seguram a caneta que pinta as cores do meu destino. Eu cheguei onde as minhas vontades são as minhas razões suficientes para escolher o que escolho, estar onde estou, fazer o que eu faço, querer o que eu quero e querer quem eu quero.

Eu cheguei.

Eu cheguei no espelho que tanto fugi a vida toda por ter pavor do que nele refletia e percebi que hoje reflete a minha imagem e finalmente eu me reconheço. Eu reconheço a pessoa que um dia já deixou de gritar por medo e que hoje tem medo de deixar de gritar. Eu reconheço a pessoa que um dia se afogou nas palavras que não disse e que hoje só deixa o ar faltar quando ri demais.

Eu cheguei.

Eu cheguei no meio do caminho. Com os pés cansados. Os mesmos pés cansados que já andavam sem rumo, desnorteados, e acabaram tropeçando em um trevo de 4 folhas que era a felicidade vinda de um encontro fortuito da vida.

Desculpe, eu me atrasei para chegar na minha própria vida. Mas eu cheguei.

Desculpe, eu me atrasei para chegar na sua vida. Mas eu cheguei. E eu prometo que eu não vou deixar que nenhum outro atraso das palavras não ditas nos incomode de novo.

Me desculpe ter demorado tanto. Mas eu estou aqui. E talvez seja o momento certo, talvez não existam atrasos reais. Conceitos de tempo e espaço são muito relativos. A urgência é por ser feliz.

Me desculpe ter demorado tanto. Mas eu estou aqui. E estou esperando você na outra metade do caminho.

 

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Dia Internacional da Mulher

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Dia Internacional da Mulher. Dia Internacional daquela que detém 50% da sua carga genética, que te carrega entre 8 e 9 meses no ventre. Daquela que por vezes decide não ser mãe mas é tia, prima, mãe por tabela. É filha, irmã de sangue ou de coração, neta emprestada ou de verdade. É amiga, esposa, parceira. É cúmplice. É aquela que se equilibra em cima do salto alto com um monte de sacolas do supermercado nas mãos enquanto abre o carro e marca reunião por Skype no celular. É aquela que mesmo de sapatilha preside uma reunião em uma sala lotada de homens que jamais questionaram sua capacidade de liderança porque ela não chegou lá através de teste do sofá algum; ela foi a melhor da classe dela, se formou com honras e foi contratada em um processo seletivo onde os homens que com ela participaram se admiraram com sua força de vontade.

Dia Internacional daquela que luta por amanhãs melhores para si e para os seus. Dia de reconhecer que foi, por muito tempo, tratada como serva, “mobília” da casa, artigo de luxo e objeto de satisfação sexual. Dia de lembrar que por muito tempo o que ainda é desigual mas está melhorando, era abissal: mulheres jamais seriam Presidentes da República ou de Multinacionais pois era “trabalho de homem”. Dia de agradecer por aquela mulher que decidiu abdicar da carreira de sucesso para se dedicar única e exclusivamente para a carreira mais linda que é a de ser mãe (e de lembrar dos homens, pais e maridos que bancaram com ela essa decisão, são caras incríveis que merecem muitos aplausos).

Dia Internacional de lembrar das lutas pela igualdade, ainda que com ações desiguais que favoreçam as chamadas discriminações positivas porque infelizmente ainda precisamos delas nos dias de hoje para termos nossos direitos reconhecidos, assegurados e cumpridos. Não queremos prerrogativas e nem vida fácil só por sermos mulher; queremos ter o direito de lutar com as mesmas armas que os homens sempre lutaram e conquistar nosso lugar ao sol sem que para isso tenhamos que dormir com alguém ou aguentar humilhações e machismo. E o pior: humilhações e machismo que muitas vezes são proferidos por mulheres!

Não é dia internacional de cobrar presente. Não é dia internacional de ganhar tratamento estético, bolsa de marca ou sapato de mil reais. Não é dia internacional de ficar brava com o namorado, noivo ou marido porque ele não te acordou com café da manhã e um anel de brilhantes com um cartão “Parabéns, meu bem, pelo dia da mulher!”. Não. O intuito do dia não é esse. É dia internacional de receber do seu namorado, noivo, marido e amigos o reconhecimento por tudo o que você fez e faz. Por todas as lutas até aqui e por toda a ajuda que você deu para que eles chegassem onde chegaram.

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É dia de ganhar de presente aquela florzinha do jardim do vizinho com o sorriso mais largo do mundo que significa orgulho da mulher que ele tem ao lado. É dia de ouvi-lo fazer piada as suas custas para que os amigos saibam que ele está com você – e você com ele, mas hoje é dia de celebrar você, moça, então é ele que está contigo. É dia de gastar seu latim lembrando aos que se encontram presentes de que há muito por lutar, muito por conseguir e que todos podem fazer a sua parte nessa.

Ainda que eu ache que as datas perderam muito de sua essência quando começaram a ser alvo do comércio desmedido, comércio este fomentado pelas próprias mulheres que perderam o foco e transformaram o dia de luta em dia de clube da Luluzinha no salão de cabelereiro, elas não podem passar batidas. Dia da Mulher para algumas infelizmente virou sinônimo de dia fútil ou de distribuição gratuita de atitudes misóginas. E de novo, ressalto que muitas delas são proferidas por mulheres de diversas faixas etárias e classes sociais.

Nenhuma pessoa pode nos tirar o que temos de mais precioso que é a nossa liberdade. Nenhuma pessoa pode querer que abdiquemos dos nossos sonhos e abaixemos a cabeça para uma realidade desigual e desumana. Desigualdades no campo de trabalho, seja aqui no Brasil seja em Hollywood com atrizes reivindicando melhores pagamentos pois ganham metade do que os atores ganham, isso quando ganham metade; o direito a existir (não sermos mortas por sermos nós), o direito de ir e vir sem preocupações e permanecer em locais sem medo de recusar o drink ou de sermos vigiadas, de perto ou de longe, por um bando que nos olha como se fossemos peça de carne no açougue.

Sinto muito se para você o Dia Internacional da Mulher se resume a ganhar presente ou um cheque em branco para gastar no shopping. Para mim, é poder sonhar com o dia em que poderei ir ao estádio de futebol sozinha ou com amigas sem medo. É contar com a ajuda de mulheres e homens esclarecidos para que possamos fazer do amanhã um dia mais justo e menos temerário, que não nos custe a vida por erguermos a nossa voz e nos defendermos de injustiças e leviandades.

Que o Dia Internacional da Mulher seja mais do que um fato de calendário; seja um ato constante de luta, de conquista, de glória. Seja uma celebração da vida, do poder ser, estar, permanecer e ir de acordo com as nossas vontades e não porque mandaram e tivemos que obedecer. Muito menos que se prevaleça o lado fútil das que acham que dia da mulher é blush e batom ou dos que acham que já que tem que dar presente que sejam uma batedeira ou um fogão.

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Feliz Dia Internacional, mulheres. Que saibamos nos dar ao respeito para que possamos exigi-lo a qualquer um em qualquer situação. E principalmente que não esperemos fazerem o nosso trabalho por nós. Somos tão capazes quanto qualquer homem. Que saibamos respeitar os limites que guardam cada atividade mas que não deixemos que qualquer coisa nos tire o prazer de sermos mulheres. De irmos do futebol de final de semana ao jantar caprichado em casa para a família. Porque não tem nada errado em ser mulher dona de casa e profissional, mulher que vive em estádio ou no parque correndo; o errado é o preconceito arraigado entre homens e mulheres que acham que viemos com manual de instruções e que servimos para coisas específicas e só isso.

Feliz Dia Internacional do respeito. Feliz dia.

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Confissões de uma garota do rímel borrado

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Por muito tempo, rastejei. Desmoronei por completo.
Não sabia confiar nos meus instintos. De repetir o mal desejado pelos olhos invejosos que procuravam me desmotivar.
Ironicamente, fui pela perversa rota da vida que me direcionava para o pior caminho.
Não entrei na dança, pois “certos dramas não valem a pena”. Estava esgotada de gastar saliva. Parecia que há tempos meu rímel não borrava tanto.
Foi neste momento quando abracei minhas decisões e os meus medos, me libertei de guardar por você e aqueles sonhos que sucumbiram. Caminhei de mãos dadas com a minha obstinação até que pudesse percorrer o restante do trajeto por minhas pernas.

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Desenvolturas em série da garota do rímel borrado: rotulagem

993064_556688297706760_223073525_nVivemos a ditadura da rotulagem: quem você é, deve ter coisas da marca X, pertencer ao grupo Y, estar inscrito nas redes sociais A e B… 
A espontaneidade ficou de lá. Foi renegada. Todos devemos nos comportar de acordo com o padrão estipulado por uma maioria. Uma maioria que não me representa. Nunca representou. Por isso, de tantos questionamentos. Não nasci para seguir sem duvidar. Duvidarei sempre. É uma questão de desconfiança social. 
Há alguns dias atrás, eu postei uma foto no Instagram: “Eu não sou esquisita. Eu sou edição limitada.”.
Já aprendi que dificilmente serei aceita. Tudo bem. Prefiro me manter à vontade no meio de outros “esquisitos” do que fingir aparências por conveniência social. Falsidade me repele.  
É uma defesa da fidelidade de ser quem você é, pura e simplesmente. Ser exclusivo: não viver como gostariam que vivesse, pensasse e agisse. Isso causa maior constrangimento a todos, pois há o rompimento com todo esse fingimento. 
Acreditem, não há nada mais libertador do que poder ser quem você é do jeito que você é ao contrário de ser quem você deveria ser para os outros. Lute pela sua independência também!

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Desenvolturas em série da garota do rímel borrado: projeto

DES-GRB

Depois de inúmeros fracassos, ela resolveu dar uma chance a ele quem lhe prometia a felicidade. Dedicação máxima a ela, ele lhe garantia.
Ela já ouvira promessas soltas antes, então desconfiava muito dele. Mesmo assim, apesar de toda encanação, lançou a sorte sobre ele.
Ele nunca foi o sinônimo da beleza, barriguinha de chope, mal vestido (roupas bizarras ou  nada estruturadas), um corte de cabelo estranho com gel. Era bem esquisito.
Portanto, foi dado início a mais um projeto de transformação do rapaz: levou ao barbeiro para um corte moderno, comprou novas roupas reestruturando seu guardarroupa, contratou um personal trainer para que ele fosse à academia junto com ela, cortou carboidratos do jantar e mudou os hábitos alimentares, permitiu a cervejinha de vez em quando…
Isso tudo até que ele ficasse exatamente apresentável e bem invejado pelas amigas.
Ela é daquela que curte 
muito toda esta fase de transformação do cara e sempre faça isso com os namorados que perdem o encanto quando ficam completamente atraentes, passando a fazer o mesmo ao próximo projeto. É uma tentação.
Há outras, como muitas amigas dela, que mesmo com todo potencial naquele cara bacana não se anima com toda a tramitação da etapa.
Cabe a ela decidir o que o futuro poderá lhe  reservar…

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Como se sente a garota do rímel borrado

Ótima sexta-feira a todos porque sei que a minha será muito bem aproveitada em excelente companhia!

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